Os Estados Unidos estão retirando alguns militares de bases importantes na região como precaução devido ao aumento das tensões regionais, disse hoje uma autoridade do país à agência Reuters, falando sob condição de anonimato.
O que aconteceu
Revelação segue comentários de uma autoridade iraniana sênior à Reuters. Teerã avisou hoje a países vizinhos que deve retaliar um possível ataque americano bombardeando bases militares dos EUA no Oriente Médio. A ameaça de retaliação acontece enquanto Washington sobe o tom contra o Irã pela morte de manifestantes em protestos no país.
Militares foram aconselhados a evacuar base dos EUA no Qatar. Diplomatas também confirmaram à agência Reuters que Base Aérea de Al Udeid, pertencente às Forças Armadas dos EUA, deve ser evacuada até a noite de hoje.
Lista dos países que teriam sido contatados não foi divulgada, mas os EUA têm grandes bases em ao menos três nações do Oriente Médio. Além da base aérea do Qatar, o país tem instalações nos Emirados Árabes Unidos (base aérea de Al Dhafra) e uma base naval no Kuwait.
Comunicação direta entre os EUA e o Irã foi cortada hoje, segundo a Reuters. O contato entre o Ministro das Relações Exteriores iraniano Abbas Araghchi e o enviado especial dos EUA ao Oriente Médio, Steve Witkoff, foi suspenso hoje, informou a agência, citando um militar sênior como fonte.
Bombardeio é visto como ‘provável’ pelos EUA, diz jornal
O governo Trump não deixou claro que tipo de ação militar está planejando, mas não descarta um ataque, segundo o Wall Street Journal. Apesar da falta de detalhamento, fontes da Casa Branca afirmaram que um ataque é mais provável do que improvável.
Trump estaria avaliando “todas as opções” disponíveis. Um funcionário de sua gestão relatou ao jornal que o republicano está avaliando como deve prosseguir para lidar com a situação no país iraniano. “O presidente ouve uma série de opiniões sobre qualquer assunto, mas, em última análise, toma a decisão que considera melhor.”
Rivais árabes do Irã na região do Golfo Pérsico têm pressionado os EUA a não intervir nos protestos. Arábia Saudita, Omã e Qatar estão dizendo à Casa Branca que uma tentativa de derrubar o regime iraniano abalaria os mercados de petróleo e, em última análise, prejudicaria a economia dos EUA e também a dos próprios países, segundo autoridades árabes.
Apesar da pouca simpatia pelo Irã, os estados árabes temem, principalmente, que ataques ao Irã possam interromper a circulação de petroleiros pelo Estreito de Ormuz. A estreita passagem na entrada do Golfo Pérsico separa o Irã de seus vizinhos árabes e é por onde passa cerca de um quinto das remessas mundiais de petróleo.
Autoridades sauditas garantiram a Teerã que não se envolveriam em um possível conflito com os EUA. Ainda de acordo com a reportagem, os representantes da Arábia Saudita disseram ainda que não permitiria o exército americano que usasse seu espaço aéreo para ataques, em um esforço para se distanciar e evitar uma ação americana.
Fonte: UOL.
