A Guarda Revolucionária do Irã iniciou novos exercícios militares no Estreito de Ormuz nesta segunda-feira (16), segundo a agência de notícias iraniana Tasnim, na véspera da retomada das negociações nucleares com os Estados Unidos.
A Marinha da Guarda Revolucionária iraniana afirmou em comunicado que os exercícios no Estreito de Ormuz têm como objetivo testar a prontidão diante de “possíveis ameaças de segurança e militares”, segundo a Tasnim.
Os EUA e o Irã estão em negociações para limitar o programa nuclear iraniano em meio a uma escalada de tensões e militar protagonizada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que ameaça atacar o país do Oriente Médio caso as negociações fracassem. Negociadores dos dois países vão se encontrar em Genebra, na Suíça, na terça e na quarta-feira (18) para retomar as tratativas.
Esta é a segunda vez que a Guarda Revolucionária Islâmica, braço militar mais forte do regime Khamenei, realiza exercícios militares no Estreito de Ormuz na atual escalada de tensões com os EUA. Exercícios militares no estreito tendem a escalar ainda mais as tensões porque a região é considerada sensível por conta dos 30% do volume mundial de petróleo que passam por ali.
O Exército dos EUA havia alertado para risco de escalada nos exercícios militares anteriores e não havia se manifestado publicamente sobre as novas manobras da Guarda Revolucionária até a última atualização desta reportagem.
De fato, os exercícios anteriores da Guarda Revolucionária iraniana, realizados entre o final de janeiro e início de fevereiro, escalaram ainda mais as tensões com os EUA, que mantém dezenas de navios de guerra posicionados na região para um eventual ataque ao Irã. Isso porque os militares iranianos testaram a reação norte-americana em dois incidentes separados:
- em um deles, um drone Shahed-139 foi abatido próximo ao porta-aviões USS Abraham Lincoln;
- em outro, dois barcos iranianos tentaram interceptar um petroleiro dos EUA, mas foram repelidos.
Negociações EUA-Irã
A primeira rodada de negociações entre os EUA e do Irã ocorreu no Omã no dia 6 de fevereiro. O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, disse que o encontro teve uma “atmosfera muito positiva”. Agora, negociadores dos dois países se reúnem novamente nesta terça-feira.
No entanto, as negociações são tratadas com cautela porque EUA e Irã ainda têm grandes diferenças entre eles: enquanto Washington exige de Teerã extinguir os programas nuclear e de mísseis e parar de apoiar grupos armados da região, o regime Khamenei afirma que negociará apenas seu programa nuclear.
A principal autoridade nuclear iraniana afirmou nesta semana que o país está disposto a diluir seu estoque de urânio enriquecido em troca do fim das sanções impostas ao país. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã tem cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, perto do nível de uma bomba nuclear.
O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, disse na semana passada que o país está disposto a “inspeções” da AIEA para mostrar que seu programa nuclear é pacífico, mas afirmou que não cederá a “exigências excessivas” dos EUA.
O presidente dos EUA, Donald Trump, alterna entre indicar esperança por um acordo nuclear e ameaças diretas ao regime Khamenei. Na semana passada, Trump ameaçou tomar “medidas muito duras” contra o Irã caso as negociações fracassem e enviou o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, para reforçar o cerco militar ao país do Oriente Médio —que já tem o grupo de ataque do USS Abraham Lincoln posicionado na região.
Fonte: G1.
