A NOAA reforçou em recente atualização de previsão de clima, que o La Niña não está atuando mais no Pacífico equatorial central e leste. A condição atual de neutralidade deve dar lugar à formação de um El Niño em breve. Além disso, os especialistas observam a chance do fenômeno ser de forte intensidade.
A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) divulgou a previsão climática atualizada em 9 de abril, indicando o status “Alerta de El Niño”.
As condições neutras na região do oceano Pacífico equatorial central e leste estão presentes e favorecidas no trimestre abril-junho de 2026, com 80% de chance. Ao mesmo tempo, a probabilidade cresce para 61% da formação de El Niño a partir do trimestre maio-junho de 2026.
O fenômeno climático deve persistir pelo menos até o final do ano, abrangendo o inverno e a primavera. As chances de continuidade são superiores a 80% a partir do trimestre julho-setembro, pelas projeções da NOAA.
Confira o gráfico:
A transição para o El Niño começa a aparecer devido a algumas características específicas, como o aumento das anomalias de temperatura subsuperficial na região monitorada e às recentes anomalias de ventos de oeste sobre o oceano Pacífico ocidental (região entre a Ásia e a Austrália).
A NOAA aponta que a formação de um El Niño forte vai depender em grande parte da continuidade destas anomalias de ventos de oeste no Pacífico equatorial, durante o verão no Hemisfério Norte e o inverno no Hemisfério Sul.
Entenda os ventos de oeste na formação do El Niño
Especialistas explicam a relação e a importância dos ventos de oeste no Pacífico ocidental para o estabelecimento do El Niño.
A grande quantidade de água quente disponível no Pacífico ocidental (ou oeste), na área oceânica entre a costa da Austrália e a Indonésia, tem influência direta no surgimento do El Niño.
Nos episódios de La Niña, ventos alísios que sopram de leste para oeste na faixa equatorial, atuam mais fortes e ajudam a concentrar as águas superficiais mais quentes em direção à Ásia e à Oceania.
De acordo com explicações da MetSul, todo esse calor retido deixa as temperaturas das águas mais elevadas no Pacífico oeste. Naturalmente os ventos alísios podem enfraquecer e até mudar de direção, é quando todo o calor acumulado de um lado do Pacífico começa a ser transportado para o outro lado, o centro e leste do oceano, dando início novamente às condições para uma transição de El Niño.
Neste mecanismo, também atuam as ondas de Kelvin. Em termos gerais, são ondas oceânicas que atuam em profundidade e se propagam de oeste para leste, deslocando as águas mais quentes.
As alterações na temperatura da superfície do mar e abaixo da superfície no Pacífico equatorial central e leste, área em que se configuram o La Niña ou o El Niño, sempre existiram naturalmente.
O que preocupa os especialistas são as alterações de temperatura no mar dentro do contexto do aquecimento global e das mudanças climáticas, com oceanos mais quentes, que acabam potencializando os efeitos dos fenômenos.
