Às vésperas de uma eleição parlamentar em setembro na Rússia, o veterano do Partido Comunista da Rússia, Gennady Zyuganov, de 81 anos, alertou políticos sobre o risco de uma revolução como a de 1917, que aboliu a monarquia do país e instaurou o socialismo.
Segundo Zyuganov, preocupações com a economia seriam o estopim da revolta, e o governo deveria tomar medidas urgentes para corrigir o rumo econômico da Rússia. “Estamos fazendo tudo o que podemos para apoiar [o presidente Vladimir] Putin, sua estratégia e suas políticas, mas vocês [o governo] não estão ouvindo”, disse ele, em comentários feitos nessa semana.
“Se vocês [o governo] não adotarem urgentemente medidas financeiras, econômicas e de outras naturezas, até o outono, nos veremos diante de uma repetição do que aconteceu em 1917. Não temos o direito de repetir isso. Vamos tomar algumas decisões”, disse Zyuganov no plenário. O comunista também notou à mídia que as reuniões governamentais com Putin estão cada vez mais melancólicas.
Apesar disso, ainda não há alertas sérios de inquietação na Rússia, em meio à intensa censura durante a guerra, à proibição de protestos, a penas longas de prisão para dissidentes e à influência crescente do Serviço de Segurança Federal, sucessor da
agência de inteligência russa da era soviética, o KGB.
Cautela política
O Partido Comunista russo é o segundo maior no parlamento, seguido pelo incumbente Rússia Unida. Mesmo assim, o partido de Zyuganov historicamente apoia Putin, no poder ou como presidente ou como primeiro-ministro desde 1999, oferecendo apenas críticas calculadas, sem direcioná-las diretamente ao presidente.
Putin repreendeu seus próprios funcionários de alto escalão na semana passada após uma contração econômica de 1,8% nos primeiros dois meses do ano, demandando novas medidas para estimular o crescimento econômico.
Apesar dos medos e choques, a economia da Rússia, que atualmente soma 3,1 trilhões de dólares, demonstrou resiliência nos últimos anos. Contraiu em 2022, mas cresceu por três anos consecutivos até 2025, superando expectativas de analistas e evitando um colapso, mesmo com sanções ocidentais e com a guerra na Ucrânia. Todavia, a erosão da guerra na economia e as taxas de juros nos dois dígitos desaceleraram o crescimento para 1% no ano passado.
Fonte: Exame.
