Efeitos no clima poderão ser agravados com a chegada do El Niño
As mudanças climáticas têm sido um agravante, fazendo disparar a quantidade e a intensidade de incêndios florestais anualmente. Os cientistas temem agora, que as condições fiquem ainda piores este ano, diante da previsão de um El Niño forte e de ondas de calor extremas, durante o verão no Hemisfério Norte.
Em particular, a situação em regiões da África e da Ásia é bastante preocupante. Os incêndios já causaram destruição sem precedentes, queimando mais de 150 milhões de hectares, só entre os meses de janeiro e abril, de acordo com dados da WWA (World Weather Attribution), um grupo de especialistas que estuda eventos extremos do clima no planeta.
Os dados revelam que os danos dos incêndios na África estão 23% maiores do que o recorde anterior e na Ásia 40% maiores do que o ano de 2014, o último recorde.
Somente na África, a área queimada por incêndios atingiu até agora 85 milhões de hectares, o equivalente a cerca de 85 milhões de campos de futebol, impulsionados por uma transição muito rápida de “condições extremamente úmidas para extremamente secas”.
Anteriormente as fortes chuvas favoreceram o umidade no solo e o crescimento de mais grama, que acabaram servindo de combustível para alimentar os focos de fogo, numa savana seca e com altas temperaturas nos últimos meses.
Já na Ásia a área queimada é de 44 milhões de hectares de terra este ano, sendo a Índia, Mianmar, Tailândia, Laos e China entre os mais impactados.
Ano sem precedentes
Em muitas partes do globo, a temporada oficial de incêndios florestais ainda nem começou, o que tende a ser um ano particularmente severo, acreditam os especialistas do WWA.
Além dos incêndios florestais, um El Niño forte também traz preocupações com as temperaturas globais, que também poderão resultar em secas generalizadas.
A volta do El Niño e as chances de mais calor e seca severa se estendem também para a Austrália, Canadá, Estados Unidos e a Amazônia.
“Se houver um El Niño forte ainda este ano, existe um sério risco de que o efeito das mudanças climáticas e do El Niño resulte em extremos climáticos sem precedentes”, declarou Friederike Otto, cientista do Imperial College London e cofundadora da World Weather Attribution.
