No leste da República Democrática do Congo (RDC), onde os ataques das ADF já causaram inúmeras mortes e forçaram muitos cristãos a fugir, um novo surto de Ebola teve início. Em 14 de maio, as autoridades confirmaram que esta é a 17ª epidemia no país desde 1976.
O surto foi detectado inicialmente em Mongwalo, uma cidade na província de Ituri, no nordeste do país. Autoridades de saúde afirmam que três zonas sanitárias estão agora afetadas: Rwampara, Mongwalu e Bunia.
Os primeiros relatos indicam que cerca de 100 pessoas morreram na comunidade, e muitas dessas mortes provavelmente estão ligadas ao vírus. A Agência de Saúde da União Africana identificou a cepa como a variante Bundibugyo, que também surgiu na República Democrática do Congo em 2012.
“Ao contrário da variante Zaire, mais conhecida, que possui uma vacina aprovada e protocolos de tratamento estabelecidos, a variante Bundibugyo não tem atualmente nenhuma vacina disponível ou opções terapêuticas adequadas”, disse o Ministro da Saúde, Roger Kamba, durante uma coletiva de imprensa. “Isso aumenta significativamente o risco de rápida disseminação e complica a resposta médica.”
A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou que a situação é especialmente preocupante porque muitas áreas afetadas são de difícil acesso. Grupos armados e conflitos em curso em partes da província de Ituri dificultam o trabalho de profissionais de saúde e equipes de ajuda humanitária para prestar assistência às comunidades que necessitam de cuidados e monitoramento urgentes.
Com o novo surto de Ebola, a vida se tornou ainda mais difícil para as comunidades cristãs da região. Há anos, famílias em Ituri e Kivu do Norte enfrentam a violência das ADF — entes queridos mortos, outros sequestrados e aldeias inteiras esvaziadas da noite para o dia. As pessoas continuam se deslocando, carregando apenas o que podem. Dormem ao relento, se escondem na floresta e nunca sabem se sobreviverão ao dia seguinte. Sem abrigo estável, alimentação regular, água potável ou assistência médica, essas famílias já estão à beira do colapso.
Agora, além de tudo isso, surgiu o Ebola. Medidas simples que poderiam salvar vidas, como lavar as mãos, isolar-se e iniciar o tratamento precoce, são praticamente impossíveis para pessoas que fogem para salvar suas vidas. À medida que o vírus se espalha, essas comunidades já traumatizadas enfrentam dois perigos simultaneamente: grupos armados e uma epidemia mortal. Elas não têm para onde ir em segurança e nenhuma maneira real de se proteger.
Diversos funcionários governamentais e internacionais vieram a Bunia para avaliar a situação.
“A distância entre Bunia, a capital da província de Ituri, e Mongwalo é de cerca de 80 km, por uma estrada muito difícil, marcada por frequentes atividades rebeldes”, disse um oficial. “Recentemente, o exército nacional descobriu quase 100 armas enterradas na região, o que demonstra a complexidade de lidar com essa crise sanitária.”
Em resposta, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou oficialmente o surto como uma “Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional”, um dos mais altos níveis de alerta de saúde global. Essa classificação demonstra o risco de propagação do vírus além das fronteiras e a necessidade urgente de ajuda internacional.
