As Forças Democráticas Aliadas (ADF) mataram pelo menos sete cristãos durante um ataque noturno em 30 de maio em Beni, localizada na província de Kivu do Norte, no leste da República Democrática do Congo.
De acordo com o chefe local, as vítimas pertenciam à comunidade pigmeia do grupo étnico Twa e foram assassinadas no bairro de Ngadi, no distrito de Ruwenzori.
Testemunhos de sobreviventes indicam que os atacantes bloquearam qualquer tentativa de fuga dos civis antes de executá-los.
“Quase morri naquele ataque”, disse um aldeão cristão. “Eles chegaram sem que percebêssemos. Nos acordaram e, com um grito islâmico, ‘Allahu Akbar’, começaram os tiros e as pessoas começaram a ser massacradas como animais.”
“Em meio ao caos, consegui escapar do campo. Eu estava com Shukrani Mangese, que voltou porque estava preocupado com seus pais, e foi então que o mataram junto com eles. Somos pigmeus. Não sabemos nada de política, mas eles estão nos matando.”
Indignados com a falha de segurança, jovens e moradores locais iniciaram protestos em Beni. Os manifestantes carregaram os corpos das vítimas em macas improvisadas em direção ao centro da cidade, bloqueando ruas com pedras para condenar a lenta resposta militar. A polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Em meio à confusão, policiais recuperaram alguns dos corpos das vítimas.
Em um incidente relacionado, quatro pessoas foram sequestradas por homens armados da ADF na estrada que liga Kiwanja a Kanyabayonga, no coração do Parque Nacional de Virunga, perto de Busendo, no território de Rutshuru, também em Kivu do Norte.
Entre os sequestrados estava o padre Gédéon Kasereka Bahati, sacerdote católico da paróquia de São José em Bobandana, Diocese de Goma. Ele foi capturado após celebrar um casamento em Kanyabayonga. Seu motorista e os noivos também foram feitos reféns.
Os assassinatos ocorrem em um momento em que a República Democrática do Congo enfrenta um novo surto de Ebola — a 17ª epidemia desde 1976.
O bispo da diocese anglicana de Beni condenou os assassinatos, apelando à união e à paz.
“Condenamos veementemente o assassinato de civis inocentes em Beni”, disse ele. “Apelamos a todas as comunidades para que permaneçam unidas neste momento doloroso e rejeitem qualquer forma de violência ou perseguição religiosa. A paz e a justiça devem prevalecer para que a cura aconteça.”
