Home GuerrasAcordo entre EUA e Irã era momento que Netanyahu mais temia

Acordo entre EUA e Irã era momento que Netanyahu mais temia

por Últimos Acontecimentos
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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, estava reunido com o gabinete de segurança em um bunker, preparado para a possibilidade de mísseis balísticos iranianos atingirem o local, quando o telefone tocou.

Na linha estava o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ligando para dar notícias de um memorando de entendimento entre os EUA e o Irã.

Essa foi a segunda ligação entre os dois líderes no domingo (14).

Na primeira, Trump disse ao líder israelense que estava “muito irritado” com o ataque de Israel a Beirute e que Netanyahu “não tem o menor juízo”, segundo o jornal Axios.

Quando o presidente Barack Obama assinou o acordo nuclear com o Irã em 2015, Netanyahu o rejeitou publica e veementemente.

Ele discursou perante o Congresso, sabendo que contava com o apoio dos republicanos, ao criticar duramente tanto o acordo quanto o presidente que o negociou. Desta vez, o primeiro-ministro israelense praticamente não se pronunciou publicamente sobre o homem que firmou o acordo.

O acordo é o cenário que as autoridades israelenses temiam há semanas: ele poderia reabrir o Estreito de Ormuz e levar ao alívio das sanções econômicas contra Teerã, ao mesmo tempo que adiaria as negociações sobre as questões que eram os objetivos declarados de guerra de Israel.

O memorando de entendimento deixa para uma discussão posterior os temas espinhosos do programa nuclear iraniano e seu arsenal de mísseis balísticos, mesmo oferecendo um alívio econômico ao regime que Netanyahu desejava derrubar.

Quando Netanyahu finalmente se pronunciou publicamente após o anúncio do memorando de entendimento por Trump, já haviam se passado horas desde que outros políticos israelenses se manifestaram.

Em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (15), Netanyahu mal mencionou o acordo durante os oito minutos de discurso de abertura.

Talvez ainda mais surpreendente seja o fato de ele mal ter mencionado Trump em seus comentários iniciais, em vez de se gabar do relacionamento entre eles, como tem feito regularmente há anos.

Questionado sobre o acordo posteriormente, ele disse: “Há casos em que o presidente Trump e eu não concordamos. Sou responsável pelos interesses de segurança de Israel, e isso precisa ser feito com sabedoria”.

O acordo também pode acarretar novas restrições à capacidade de Israel de combater o Hezbollah, já que o Irã exige uma retirada militar israelense completa do sul do Líbano, algo que Israel já declarou não estar disposto a fazer.

Nesta segunda-feira (15), um alto funcionário americano disse a repórteres que a retirada “não era uma condição do acordo”.

“Se o Irã não for capaz de controlar o Hezbollah e atacar posições ou cidades israelenses, Israel terá o direito de se defender e responder”, alegou o oficial.

Embora Netanyahu tenha evitado até agora um confronto público direto com Trump, figuras de todo o espectro político israelense têm se mostrado bem menos contidas.

Os próprios parceiros de Netanyahu na coalizão, o ministro das Finanças Bezalel Smotrich e o ministro da Segurança Nacional Itamar Ben Gvir, classificaram o acordo como “perigoso” e declararam que Israel não se considera vinculado a ele.

O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, que concorre para destituir Netanyahu, classificou o ocorrido como “uma virada perigosa na segurança de Israel”.

O ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel, Gadi Eisenkot, também um dos principais candidatos ao cargo de primeiro-ministro, descreveu-o como um “resultado lamentável” fruto da falta de estratégia e coragem.

Meses atrás, fontes disseram à CNN que sua equipe política havia planejado um caminho claro para a eleição: uma vitória rápida sobre o Irã, uma visita triunfal à Casa Branca em setembro, uma revanche de Trump a Israel na reta final e uma avalanche de imagens presidenciais impulsionando Netanyahu até as urnas em outubro.

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