A Nigéria e a Somália foram acrescentadas à lista das regiões do mundo onde a insegurança alimentar aguda poderá atingir níveis “catastróficos” nos próximos meses, alertou hoje as Nações Unidas.
No seu mais recente relatório semestral, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e o Programa Alimentar Mundial (PAM) assinalam que o nordeste da Nigéria poderá registar 15.000 pessoas em situação de fase de “catástrofe” entre junho e agosto de 2026.
O país mais populoso de África enfrenta há vários anos uma insurreição de fundamentalistas islâmicos no norte do país.
Na Somália, foi identificada uma ameaça de fome no distrito de Burhakaba, no sul do país, revelando uma rápida degradação das condições de vida após vários anos de seca e de produção agrícola muito reduzida.
Estes dois países juntam-se ao Sudão, ao Sudão do Sul, ao Iémen e aos Territórios Palestinianos entre as zonas de “máxima preocupação”, onde a gravidade e a dimensão da fome são consideradas mais elevadas.
No total, 13 países são considerados focos críticos de fome entre junho e novembro de 2026.
Segundo o relatório, cerca de 266 milhões de pessoas enfrentam níveis elevados de insegurança alimentar aguda nestas zonas.
Os conflitos e a violência continuam a ser a principal fator destas crises em 12 dos 13 países abrangidos, agravados por choques económicos, pela falta de financiamento humanitário e pelos efeitos esperados do fenómeno climático El Niño, suscetível de provocar secas e inundações.
A situação é agravada pela redução drástica do financiamento: a ajuda alimentar e agrícola de emergência diminuiu cerca de 59% entre 2022 e 2025, regressando a níveis observados há quase uma década.
“Sem uma ação imediata, milhões de pessoas adicionais poderão aproximar-se da fome”, advertiu o PAM.
Fonte: ONU.
