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Ebola avança na RDC, e medo afasta pacientes de hospitais

por Últimos Acontecimentos
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A epidemia de ebola na República Democrática do Congo já matou mais de 1.800 pessoas e avança em meio ao medo de pacientes, famílias e profissionais de saúde, mostra reportagem do El País.

O que você precisa saber

O surto foi declarado em 15 de maio na RDC, tendo Bunia como epicentro, e já soma cerca de 4.000 casos confirmados no país. Ele é o maior já registrado na RDC e o segundo com mais casos na história da doença.

Velocidade de transmissão preocupa equipes de saúde no leste do país. Nas primeiras 11 semanas, cerca de 1.500 pessoas morreram, ante 279 no mesmo período da epidemia da África Ocidental em 2014.

Somente em 6 de agosto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou 99 novos casos confirmados e 52 mortes. A organização afirma que, em algumas áreas, o vírus avança mais rápido do que a capacidade de resposta.

Crianças estão entre as principais vítimas da doença. Ao menos 330 morreram, e menores de cinco anos têm uma taxa de mortalidade mais de duas vezes superior à dos adultos, informa o Unicef.

Medo dificulta procura por atendimento

A médica Marline Masika atende pacientes com doenças comuns, mas precisa considerar a possibilidade de ebola em cada consulta. “Cada dia, quando chegamos ao trabalho, temos esse temor de contrair a doença e levá-la à nossa família”, diz.

Ao menos 75 profissionais de saúde contraíram ebola no primeiro mês do surto, e 17 morreram. Marie Roseline Belizaire, diretora de emergências da OMS, afirma que o sistema de saúde paga um preço verdadeiramente elevado.

Parte dos pacientes evita os centros de tratamento por medo de morrer no hospital. Isambo Moïse, deslocado há sete anos no campo de Kigonze, relata: “Dizem que, se você vai ao hospital, morre diretamente”.

Rastreamento falha em área de conflito

Anos de conflito armado, deslocamentos e infraestrutura precária dificultam a contenção do surto. Pessoas vivem em acampamentos onde a prevenção e a identificação rápida de novos casos se tornam mais difíceis.

Nove em cada dez pacientes atendidos no centro de tratamento de Bunia não estavam na lista de contatos monitorados. O dado é de Médicos Sem Fronteiras, que mobilizou cerca de 1.400 profissionais para a resposta à epidemia.

A taxa de acompanhamento de contatos está em 75%, segundo a OMS e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças da África (Africa CDC), abaixo da meta de 95% considerada necessária por especialistas. Na província de Ituri, a mais atingida, esse índice cai para 59%, afirma Médicos Sem Fronteiras.

Sobrevivência depende de diagnóstico rápido

O surto atual é provocado pela cepa Bundibugyo, menos frequente que a cepa Zaire. Não há tratamento autorizado contra essa variante, e médicos dependem do diagnóstico precoce e de cuidados como hidratação intensiva.

Déi sobreviveu após ser levada ao centro de tratamento de Elykia com calafrios, vômitos e diarreia. “Hoje estou bem. Já não tenho náuseas nem diarreia, recuperei o apetite e volto a comer normalmente”, afirmou em relato à Médicos Sem Fronteiras.

Richard Pituwa perdeu a esposa quando os primeiros exames indicaram malária, e não ebola. Ele afirma que ela recebeu atendimento adequado apenas nas últimas 24 ou 48 horas de vida.

Enterros seguros mudam despedidas

O vírus pode ser transmitido pelo contato com o corpo de uma pessoa morta, o que exige enterros sob protocolos de segurança. Badya Piracel Florence trabalha para impedir o contágio sem impedir o luto das famílias.

Florence diz que parentes frequentemente reagem com tristeza, raiva ou incompreensão às restrições. “Nossa missão é proteger os vivos ao mesmo tempo que honramos as pessoas mortas com respeito e dignidade”, explica.

Fonte: UOL.

“…e pestes…” Mateus 24:7

10 de agosto de 2026.

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