Home GuerrasChina pede ao Irã que contenha houthis após apelo da Arábia Saudita

China pede ao Irã que contenha houthis após apelo da Arábia Saudita

por Últimos Acontecimentos
87 Visualizações

A China pediu ao Irã que use sua influência para conter os houthis, do Iêmen, após um apelo da Arábia Saudita, segundo a Reuters.

O que aconteceu

Pedido de Pequim foi feito de forma reservada a Teerã, segundo três fontes iranianas ouvidas pela Reuters. A mensagem, de acordo com essas fontes, buscou evitar que o conflito se espalhe por rotas de energia e navegação das quais a China depende.

Arábia Saudita procurou a China depois de uma ofensiva dos houthis na última semana, dizem as fontes. O avanço do grupo ao longo da costa do Mar Vermelho e nas proximidades do estreito de Bab el-Mandeb teria deixado exportações sauditas de petróleo e o tráfego marítimo mais expostos.

Pequim já vinha defendendo publicamente contenção e diálogo, mas o recado privado foi além, segundo as fontes. Em resposta a um pedido de comentário, o Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou à Reuters: “A China não deseja ver as tensões regionais se espalharem ainda mais para o Iêmen e o Mar Vermelho. A escalada da instabilidade regional não é do interesse de nenhuma parte”.

As fontes dizem que o Irã respondeu que a estabilidade na região depende do fim da guerra entre EUA e Israel contra o país. Elas não detalharam como a mensagem chinesa foi entregue nem se o tema foi tratado durante a visita do chanceler iraniano Abbas Araqchi à China, na quarta-feira.

Segundo os relatos, autoridades chinesas não fizeram ameaças explícitas nem indicaram pressão econômica caso Teerã não atue. O governo chinês também declarou à Reuters: “A soberania e a segurança de todos os países devem ser respeitadas, e instalações vitais para a subsistência das pessoas não devem ser alvo. A China pede o fim de ações que compliquem ainda mais a situação e insta a resolver questões por meio do diálogo e da negociação”.

Risco para rotas de energia

China é o maior parceiro comercial do Irã há mais de uma década e segue como principal comprador do petróleo iraniano. Compras chinesas responderam por mais de 80% das exportações marítimas de petróleo do Irã em 2025, com média de cerca de 1,4 milhão de barris por dia, segundo dados da consultoria Kpler citados pela Reuters.

Diplomatas e analistas avaliam que Pequim está entre os poucos atores com capacidade de influenciar Teerã nesse tema. “Pequim é uma das poucas capitais que ainda pode pressionar o Irã a conter os houthis”, disse à Reuters um diplomata ocidental sênior na região.

Pressão sobre o tráfego no Mar Vermelho e no estreito de Bab el-Mandeb pode agravar a crise global de energia, diz a reportagem. A Reuters afirma que, com o estreito de Ormuz já efetivamente fechado após ações do Irã, ataques sustentados dos houthis a navios ou portos no Mar Vermelho poderiam atingir simultaneamente as duas principais rotas de exportação de petróleo do Oriente Médio.

Dilema de Pequim e cálculo de Teerã
Fontes ouvidas pela Reuters dizem que não está claro se o Irã vai agir a partir das preocupações levantadas pela China. Ainda assim, a relação com Pequim tem peso econômico e estratégico para Teerã em meio a sanções e hostilidades com os EUA.

Analistas destacam que os interesses da China no Oriente Médio vão além do Irã. Alex Vatanka, diretor do programa sobre Irã no Middle East Institute, em Washington, disse à Reuters: “O Irã pode interromper Ormuz. Mas, em algum momento, essa alavancagem começa a prejudicar justamente o poder do qual Teerã depende cada vez mais”.

Diplomatas apontam que o teste será saber se Pequim está disposta a impor consequências para sustentar suas demandas. “Teerã e Pequim precisam um do outro. A China é um fator que Teerã não pode ignorar, e Pequim quer Ormuz reaberto e a navegação no Mar Vermelho garantida”, afirmou à Reuters o diplomata ocidental sênior.

Fonte: UOL.

“E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;…” Mateus 24:6

18 de setembro de 2026.

Postagens Relacionadas

Deixe um comentário