Arábia Saudita, Turquia e Paquistão concordaram, nesta segunda-feira (5), em ativar mecanismos de dissuasão coletiva e mobilizar forças militares conjuntas em território saudita. A ação é em resposta aos recentes ataques contra o reino, segundo uma declaração conjunta divulgada após uma reunião de emergência em Riade.
Os três países se reuniram em caráter de urgência, no âmbito do Comitê Estratégico-Político e de Defesa da Aliança de Meca, para tratar das ameaças à segurança que a Arábia Saudita enfrenta. A declaração conjunta condenou com veemência a tentativa de atacar as cidades sagradas de Meca e Medina, bem como cidades e instalações civis e econômicas do reino.
Mobilização militar imediata
As três potências decidiram colocar em prática imediatamente a defesa coletiva prevista na Aliança de Meca. “O Comitê decidiu passar imediatamente à implementação prática dos compromissos de defesa conjunta. Isso inclui fornecer as forças e capacidades militares previamente acordadas e garantir seu rápido envio à Arábia Saudita, conforme os arranjos aprovados e a legislação nacional de cada país”, diz o comunicado.
A declaração também ressalta que a segurança de cada nação é parte integrante da segurança coletiva dos três países. Transformar o Acordo de Meca em medidas concretas “demonstra a credibilidade do compromisso com a defesa coletiva, fortalece a eficácia da dissuasão e reafirma a unidade e a determinação” de defender a soberania e a integridade territorial.
Por sua vez, o ministro da Defesa saudita, príncipe Khalid bin Salman, confirmou no X que a reunião de emergência “reafirmou a solidariedade e a união de nossos países diante dos atrozes ataques contra o reino e os lugares sagrados”. Ele explicou que o comitê decidiu “ativar medidas de dissuasão coletiva no âmbito da Aliança, em resposta aos ataques e a todos os responsáveis por eles”.
- A escalada entre Riade e o movimento Houthi começou em julho e, na prática, pôs fim à frágil trégua que mantinha congeladas as linhas de frente no Iêmen desde 2022. Os Houthis aumentaram a pressão sobre a Arábia Saudita e ampliaram as ações contra alvos ligados ao país, enquanto Riade intensificava suas operações militares no Iêmen.
- Em setembro, os Houthis tomaram a cidade portuária de Mocha, na costa oeste do Iêmen. A conquista reforçou o controle do grupo sobre uma importante artéria marítima, o Estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Canal de Suez e é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, fundamental para o transporte de petróleo e mercadorias entre a Europa e a Ásia.
- Apesar das acusações sauditas, os Houthis negam reiteradamente qualquer tentativa de atacar Meca e Medina, locais sagrados para os muçulmanos.
