A OTAN realizará seus exercícios anuais de dissuasão nuclear Steadfast Noon a partir de 13 de outubro na Itália com a participação de 17 países-membros, informou a OTAN na quinta-feira (8).
A OTAN sustenta que o exercício é uma “atividade de treinamento rotineira, planejada há muito tempo, que faz parte dos esforços da Aliança para manter sua prontidão e testar procedimentos que contribuem para a dissuasão e a defesa da Aliança”.
O secretário-geral Mark Rutte destacou: “A OTAN é uma Aliança defensiva. Este exercício nos ajuda a garantir uma capacidade segura, protegida, eficaz e crível para preservar a paz, prevenir a coerção e dissuadir a agressão. Também envia uma mensagem clara de unidade e determinação”.
As manobras, que vão até 23 de outubro, incluem simulações de alerta, voos e tarefas de carregamento, reabastecimento e manutenção de aeronaves — sem uso de armas nucleares reais. Segundo a diretora de Política Nuclear da OTAN, Nassima Barrows, o treinamento é “uma mensagem clara para países como a Rússia de que não há motivos para se preocupar”.
Reação da Rússia
Moscou, no entanto, não interpreta assim. O vice-chanceler Alexander Grushko declarou no Fórum Econômico Oriental em 2 de setembro que a aliança “está levando as coisas para um confronto militar com a Rússia”, informa a TASS. Segundo ele, “não se trata de retórica, mas de preparação para a guerra”, citando programas militares, exercícios e a expansão da logística no flanco leste.
Já o presidente Vladimir Putin afirmou em 1º de outubro, na sessão plenária do Clube Valdai, que “a Rússia não vai atacar ninguém, nem em 2029, nem em 2030, nem em 2050”. Ele atribuiu a retórica europeia a uma “histeria” sobre uma suposta ameaça russa.
O chanceler Sergey Lavrov foi além e disse que declarações de líderes europeus, incluindo Rutte, mostram que eles se preparam “seriamente” para uma guerra contra a Rússia.
Kaliningrado e a troca de sinais
A tensão aumentou após manobras da OTAN perto de Kaliningrado em agosto. O chanceler polonês Radosław Sikorski propôs em 11 de setembro que a aliança realize exercícios “tão agressivos” perto do enclave russo que Moscou “não tenha certeza do que faremos”.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, respondeu que é “evidente” que o bloco conduz atividades militares na região e que a Rússia toma “as medidas necessárias” para garantir sua segurança.
Putin já advertiu que, em caso de ataque direto à Rússia, “surgirá inevitavelmente a questão do uso de todo o arsenal disponível”.
