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Quase 20 milhões de afegãos enfrentarão insegurança alimentar aguda

por Últimos Acontecimentos
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No Afeganistão, quase 40% da população enfrentará níveis elevados de insegurança alimentar aguda este inverno. O problema deve ser agravado pelo aumento significativo dos casos de subnutrição no decorrer de 2027.

O alerta foi feito esta semana pela Organização para Alimentação e Agricultura, FAO, e pelo Programa Alimentar Mundial, WFP, que apelam a um financiamento urgente para socorrer os afegãos.

Escassez ocorre de novembro a abril

Os dados constam da mais recente análise da Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar, IPC. Os números projetam aproximadamente 19,2 milhões de pessoas em risco de níveis elevados de insegurança alimentar durante o período de escassez sazonal, entre novembro e abril.

A cifra representa um aumento face aos 17,4 milhões projetados para o mesmo período do ano anterior no país liderado pelo movimento Talibã.

Segundo a ONU, 5 milhões de afegãos com insegurança alimentar aguda enfrentarão níveis de fome de emergência, o dobro do número projetado para o período de abril a setembro de 2026.

A análise reforça a urgência da assistência alimentar e de apoio agrícola para evitar mortes e o colapso total dos meios de subsistência.

Mães e crianças em risco

A crise alimentar no país tem afetado sobretudo mães e crianças. Prevê-se que os casos de subnutrição aumentem quase 10%, atingindo os 4 milhões, um quarto dos quais graves e potencialmente fatais.

A crise no Afeganistão é impulsionada por vários choques que afetam as comunidades e a resposta humanitária. É o caso do retorno forçado de mais de 1,2 milhões de afegãos, do encerramento de fronteiras, da perturbação de rotas comerciais críticas e dos défices drásticos de financiamento.

No seu conjunto, estas condicionantes contribuem para agravar a fome e a subnutrição no país, sobretudo com a aproximação do inverno, alertam as agências.

Colheitas não resolveram o problema da fome

Este ano, as chuvas favoráveis favoreceram a produção agrícola e a recuperação das pastagens, beneficiando muitas famílias de agricultores.

Paralelamente, a previsão do fenómeno El Niño pode trazer precipitação acima da média, ajudando a recompor as fontes de água, a regenerar os pastos e a favorecer as culturas de inverno e primavera.

No entanto, melhores colheitas e maior disponibilidade de alimentos não se traduzem necessariamente numa melhor segurança alimentar.

Perante o desemprego persistente, muitas famílias que não produzem os seus próprios alimentos não têm condições para suportar uma dieta nutritiva, mesmo quando há alimentos disponíveis.

Financiamento urgente pode salvar vidas 

A FAO e o WFP apelam a um financiamento urgente para alargar a assistência alimentar, o apoio agrícola de emergência e as ações de prevenção e tratamento da malnutrição.

Num contexto de choques e crises cumulativas, é necessário alargar as respostas humanitárias, agir preventivamente e investir no setor agroalimentar para criar emprego, indica o representante da FAO no país, Richard Trenchard.

Por sua vez, o diretor do WFP no Afeganistão, John Aylieff, alertou que a fome e a subnutrição estão a levar comunidades afegãs ao limite e que a janela de oportunidade para agir está a fechar-se rapidamente.

Com acesso a apoio urgente, as famílias podem atravessar o inverno com dignidade. Sem ele, muitas enfrentarão escolhas impossíveis, que nenhum pai ou mãe deveria ter de fazer, conclui o responsável.

Fonte: ONU News.

“…e haverá fomes,” Mateus 24:7

19 de outubro de 2026.

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