O estado de Manipur, na Índia, está passando por uma reforma política desde fevereiro de 2025, mas a situação no país permanece frágil. Três anos após a onda de violência etnorreligiosa, as comunidades continuam divididas, tanto geograficamente quanto socialmente.
Manipur é considerado o estado mais cristão da Índia e já foi conhecido como um estado onde seguidores de Jesus estavam seguros e a perseguição era baixa. Mas durante os conflitos entre etnias meitei e kuki, o governo estadual pró-hindu priorizou a “unidade” e não protegeu nem socorreu os cristãos alvos dos ataques. Recentemente, as tensões voltaram a escalar após duas mortes.
Mayanglambam Rishikanta Singh, um homem da tribo meitei, era casado com Chingnu Haokip, uma mulher da tribo kuki, ambos na faixa dos 30 anos de idade. De acordo com a mídia local, Singh estava trabalhando no Nepal como engenheiro. Ele retornou a Manipur no dia 19 de dezembro de 2025 para passar o Natal com sua esposa na cidade Churachandpur.
Haokip contou que o marido tinha permissão do governo e da Organização Nacional Kuki para ficar alguns dias na cidade, mas os kuki disseram que não sabiam sobre a situação. Há informações de que um grupo militante kuki estaria por trás do assassinato.
Na quarta-feira, dia 21 de janeiro, por volta das 18h30, três homens mascarados e armados invadiram a casa onde o casal estava e os raptaram. Enquanto estavam sendo levados em um carro, Haokip implorou para que não os matassem. Ela foi jogada do carro em movimento.
Singh foi levado para fora da cidade, onde foi morto a tiros. Um vídeo circulou pela internet com a legenda “sem paz, sem governo popular”, mostrando Singh com as mãos amarradas, implorando por sua vida antes de levar dois tiros. Seu corpo foi levado a um hospital.
Tensões voltam a crescer entre as duas etnias
O vídeo causou medo e ira entre os meitei. Os líderes da tribo exigiram justiça e a prisão imediata dos criminosos, deixando claro que se o governo não agisse, haveria retaliação. A declaração também gerou medo e tensão entre os kuki.
Um comitê foi formado e o caso foi entregue à Agência Nacional de Investigação. O assassinato reabriu feridas que estavam começando a cicatrizar, em um tempo em que as tensões entre as tribos diminuíam, apesar da divisão social ainda existir.
Neinu (pseudônimo), um parceiro local da Portas Abertas, diz: “Já existia uma grande ira pela morte de uma jovem kuki-zo por complicações de saúde e ferimentos causados por um estupro coletivo. Agora, com a morte de Singh, as tensões voltaram a escalar entre as duas comunidades. O conflito destruiu famílias inteiras. Casais intercomunitários são os que mais sofrem, geralmente se vendo obrigados a viverem separados ou deixarem o estado para sobreviver. Kukis casados com meiteis enfrentam abusos e rejeição dos extremistas”.
Com duas mortes, uma de cada comunidade, em um espaço de duas semanas, o medo e a desconfiança voltaram a crescer. A dor da violência continua a separar famílias e a paz em Manipur ainda parece distante.
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