A China pressionou o Irã a aceitar um cessar-fogo de duas semanas com os Estados Unidos, afirmaram autoridades iranianas ouvidas pelo New York Times sob condição de anonimato.
O que aconteceu
Autoridades iranianas disseram que a decisão de Teerã veio após uma pressão de última hora de Pequim e esforços diplomáticos do Paquistão. O cessar-fogo foi proposto para durar duas semanas e foi intermediado por Islamabad, capital paquistanesa que deve sediar uma reunião entre os dois países nesta sexta-feira.
Pequim teria pedido ao Irã que mostrasse flexibilidade e ajudasse a reduzir a tensão com Washington. Ao ser questionada pelo jornal americano sobre o tema, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China em Pequim, Mao Ning, não confirmou a atuação chinesa e afirmou: “Sempre defendemos negociações de paz e o cessar-fogo.”
O movimento chinês, dizem as autoridades, reflete o interesse de Pequim em evitar uma guerra prolongada que possa afetar o fornecimento de energia e a economia global. A avaliação é que um conflito mais longo também poderia atingir países do Golfo Pérsico, com os quais a China mantém relações próximas.
Reportagem do Times apurou que ministro das Relações Exteriores da China fez telefonemas a chanceleres da região para defender o cessar-fogo. Na semana passada, Wang Yi também se reuniu em Pequim com autoridades paquistanesas após encontros em Islamabad com representantes da Turquia, Arábia Saudita e Egito para discutir uma saída para o conflito.
Em público, o governo chinês evitou detalhar qualquer participação nos preparativos do cessar-fogo. “Esperamos que todas as partes resolvam suas disputas por meio do diálogo e da negociação”, se restringiu a dizer Mao Ning em coletiva diária do ministério.
China e Irã mantêm uma relação estreita, com Pequim como principal compradora do petróleo iraniano nos últimos anos. O comércio ajudou Teerã a atravessar um período de isolamento internacional ligado ao seu programa nuclear. Paquistão e Irã também dependem economicamente da China, o que amplia o peso diplomático de Pequim na região.
Fonte: UOL.
