O líder norte-coreano Kim Jong-un supervisionou ontem o disparo de mísseis hipersônicos que contribuem para preparar as forças nucleares de Pyongyang para “uma guerra real”, segundo a agência oficial KCNA.
De acordo com ele, seus programas militares e nucleares servem como “dissuasão”.
A agência não especificou quantos mísseis foram disparados no domingo, mas afirmou que eles “atingiram alvos a 1.000 quilômetros de distância” no mar do Japão.
Ontem, o país realizou seu primeiro lançamento de mísseis balísticos de 2026, violando as sanções internacionais.
“A recente crise geopolítica e os eventos internacionais complexos ilustram por que isso é necessário”, declarou Kim Jong-un sobre a manobra, segundo a KCNA, em clara referência à captura de Nicolás Maduro.
Para o Ministério das Relações Exteriores norte-coreano, a operação é um “exemplo que confirma mais uma vez o caráter ‘criminoso’ e ‘brutal’ dos Estados Unidos”,e representa uma “grave violação da soberania” da Venezuela.
Há décadas, Pyongyang acusa os Estados Unidos de tentar derrubar seu governo.
Após o teste, o segundo desde novembro, o líder norte-coreano destacou que “avanços importantes foram realizados recentemente” e o objetivo, segundo Kim, é “implementar gradualmente uma força de dissuasão nuclear altamente desenvolvida”.
O último lançamento “pode ser interpretado como uma mensagem indicando que Pyongyang possui capacidade de dissuasão e poder nuclear, ao contrário da Venezuela”, explicou Hong Min, analista do Instituto Coreano para a Unificação Nacional, sediado em Seul.
Os mísseis hipersônicos viajam a mais de cinco vezes a velocidade do som e podem manobrar em voo, o que os torna mais difíceis de rastrear e interceptar os aparelhos.
O lançamento ocorreu poucas horas antes da partida do presidente sul-coreano Lee Jae-myung para a China, onde discutirá comércio e Coreia do Norte com Xi Jinping. A influência de Pequim, próxima a Pyongyang, pode ajudar no objetivo de melhorar a relação entre as duas Coreias.
Fonte: RFI.
