Os Estados Unidos pediram ajuda à Ucrânia para repelir os ataques de drones iranianos no Oriente Médio, disse o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky na quinta-feira, acrescentando que ordenou o envio de apoio especializado.
Durante a invasão da Ucrânia pela Rússia, que começou há quatro anos, Kiev desenvolveu uma gama de interceptores de drones baratos e eficazes — aeronaves projetadas para atingir drones de ataque em pleno ar — que, segundo o governo russo, são líderes mundiais.
Na terça-feira, Zelensky ofereceu aos aliados dos EUA no Oriente Médio um acordo no qual os aliados trocariam alguns de seus mísseis de defesa aérea por interceptores, que, segundo ele, os protegeriam melhor de ataques de drones iranianos.
“Recebemos um pedido dos Estados Unidos para apoio específico na proteção contra os ‘shaheds’ na região do Oriente Médio”, confirmou Zelensky na quinta-feira, referindo-se aos drones de fabricação iraniana também utilizados pela Rússia.
No dia anterior, Zelensky disse que “parceiros”, incluindo os EUA, estavam “pedindo ajuda para se defenderem” do drone de fabricação iraniana, “com conhecimento especializado e experiência operacional real”.
O presidente ucraniano e outros funcionários ucranianos já haviam sugerido que Kiev poderia compartilhar conhecimento especializado com países do Oriente Médio se estes pudessem ajudar a persuadir a Rússia a respeitar um cessar-fogo na guerra que opõe Kiev a Moscou.
A Ucrânia tem sofrido ataques quase diários com drones de fabricação iraniana, lançados da Rússia e que têm como alvo áreas residenciais e infraestrutura civil, incluindo suas instalações de energia.
“Dei instruções para que fossem providenciados os meios necessários e garantida a presença de especialistas ucranianos que possam assegurar a segurança exigida”, acrescentou Zelensky na quinta-feira.
Zelensky afirmou, na quarta-feira, que discutiu o conflito no Oriente Médio com o rei do Bahrein e o príncipe herdeiro do Kuwait.
Ambos os países foram alvo de ataques iranianos nos últimos dias, à medida que a República Islâmica voltou sua ira contra os estados do Golfo que abrigam instalações militares dos EUA, além de disparar mísseis contra Israel.
Além disso, uma fonte familiarizada com o assunto disse à Reuters que os EUA e o Catar estão em negociações com Kiev sobre a aquisição de drones interceptores ucranianos.
As negociações iniciais estão ocorrendo entre autoridades governamentais, não empresas, e a tecnologia em discussão inclui sistemas para detectar drones inimigos e interromper seus sinais de comunicação, disse a fonte.
O Gabinete de Imprensa Internacional do Qatar não respondeu ao pedido de comentários. O Pentágono também se recusou a comentar.
Zelensky também afirmou que seu governo mantém contato diário com os EUA e que, assim que a situação de segurança em torno do Irã permitir, as negociações trilaterais com Moscou e Washington sobre uma solução para a guerra com Moscou serão retomadas.
Apesar do apelo de Washington por ajuda, o presidente dos EUA, Donald Trump, acusou Zelensky na quinta-feira de obstruir seus esforços de paz na Ucrânia, retomando a linguagem que usou durante uma reunião notoriamente tensa na Casa Branca, um ano atrás.
“Zelensky precisa se mexer e fechar um acordo”, disse Trump em entrevista ao Politico.
“É impensável que ele seja o obstáculo”, disse Trump, segundo relatos. “Você não tem as cartas na manga. Agora ele tem ainda menos.”
Trump prometeu acabar com a guerra na Ucrânia em seu primeiro dia de mandato, em janeiro de 2025, mas reconheceu que tem encontrado dificuldades para atingir esse objetivo, com a Rússia mantendo os ataques à Ucrânia.
Questionado pela Reuters na quinta-feira sobre a oferta de apoio da Ucrânia para ajudar na defesa contra os drones iranianos, Trump disse que aceitaria ajuda de onde quer que a obtivesse.
“Certamente aceitarei qualquer ajuda de qualquer país”, disse Trump à Reuters em entrevista por telefone.
