Um terremoto de magnitude 6,2 foi registrado na costa do Japão, relataram sismólogos do Centro Sismológico Europeu do Mediterrâneo (EMSC). Tremores foram registrados em 2 de abril de 2025, na área da Ilha de Kyushu, perto da parte sudoeste do país. O epicentro foi no Oceano Pacífico, a uma profundidade de cerca de 40 quilômetros, o que permitiu evitar uma destruição significativa em terra. A Agência Meteorológica do Japão (JMA) avaliou rapidamente a situação e não emitiu um alerta de tsunami, mas as autoridades locais pediram aos moradores das áreas costeiras que permanecessem vigilantes quanto a possíveis tremores secundários. De acordo com dados preliminares, não foram registrados mortos ou danos graves, mas a atividade sísmica mais uma vez nos lembrou da fragilidade da posição do Japão na junção das placas tectônicas.
O incidente ocorre em meio a preocupações crescentes sobre um possível “superterremoto” no Nankai Trough, uma estrutura tectônica gigante que se estende ao longo da costa do Pacífico do país. Cientistas japoneses e o governo já alertaram que um evento semelhante, capaz de atingir magnitude 8 ou até 9, poderia ter consequências catastróficas. Especialistas estimam que um megaterremoto como esse poderia matar até 300.000 pessoas, e os danos econômicos poderiam ultrapassar US$ 1,81 trilhão. A principal ameaça não vem apenas dos fortes tremores, mas também do subsequente tsunami, cuja altura das ondas, segundo as previsões, pode chegar a 30 metros. Esses cenários são baseados em dados históricos: o Vale de Nankai já foi a fonte de terremotos devastadores em 1707, 1854 e 1946, cada um dos quais deixou uma marca profunda na história japonesa.
A atividade sísmica atual apenas ressalta a urgência desses alertas. Em agosto de 2024, a JMA emitiu seu primeiro “mega alerta” depois que um terremoto de magnitude 7,1 atingiu a costa de Kyushu. Na época, as autoridades disseram que o risco de um grande tremor no Nankai Trough havia aumentado temporariamente, embora uma data precisa ainda fosse impossível de prever. Segundo a agência, a probabilidade de um megaterremoto de magnitude 8-9 nesta zona nos próximos 30 anos é estimada em 70-80%. Tais números obrigam o governo e a população do país a levar os preparativos a sério. Após o terremoto na Península de Noto em janeiro de 2024, que matou mais de 280 pessoas, o Japão intensificou os esforços para fortalecer a infraestrutura e educar os cidadãos sobre precauções de segurança.
Para completar o quadro, vale destacar que no início de 2025, sismólogos registraram uma série de tremores na área do Nankai Trough. Por exemplo, em 13 de janeiro, um terremoto de magnitude 6,6 sacudiu o sul de Kyushu e, em março, uma onda de tremores secundários varreu a região de Toyama. Segundo a Reuters, as autoridades japonesas continuam monitorando a situação, sem descartar que os eventos atuais possam ser o prenúncio de um cataclismo maior. Ao mesmo tempo, alguns especialistas, como Robert Geller, da Universidade de Tóquio, são céticos quanto à precisão das previsões de longo prazo, apontando para a dificuldade de prever eventos sísmicos específicos. No entanto, até eles admitem que a área de Nankai Trough continua sendo uma das mais perigosas do mundo.