Irã, Rússia e China preparam um exercício naval conjunto no Estreito de Ormuz, fechado parcialmente desde ontem para atividades militares.
O que aconteceu
Operação naval conjunta foi confirmada pelo governo russo ontem. Nikolay Patrushev, assessor direto de Vladimir Putin, afirmou ao jornal “Argumenty i Fakty” que o exercício é parte de um plano coordenado entre Moscou, Teerã e Pequim para fortalecer a segurança.
Segundo a Rússia, os exercícios são feitos para “expandir e fortalecer” a coordenação marítima entre os países. A agência de notícias estatal Irna, do Irã, informou que os exercícios seriam feitos para “combater o unilateralismo” e apoiar a segurança do comércio na região.
Autoridades não deram data para o exercício conjunto, mas uma fonte militar informou à agência turca Anadolu que eles começam amanhã. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, por sua vez, confirmou que iniciou – sozinha – os exercícios militares na segunda-feira.
A Marinha iraniana faz exercícios do tipo desde 2019 e esta seria a sexta vez em que os três países participam de uma missão do tipo. O Estreito de Ormuz fica entre o golfo pérsico e o golfo de Omã. Ele é considerado uma das principais rotas marítimas para o petróleo mundial.
Tensão entre EUA e Irã
Os exercícios dos países acontecem ao mesmo tempo em que os Estados Unidos mantêm dois porta-aviões no mar do Oriente Médio. As tensões entre EUA e Irã cresceram em janeiro envolvem o programa nuclear iraniano e a repressão a manifestantes em protestos.
Trump citou, por mais de uma vez, a necessidade de um acordo entre as duas partes. “Temos que chegar a um acordo, caso contrário, será muito traumático, muito traumático”, disse o presidente dos EUA a jornalistas na sexta-feira. O Irã já descartou renunciar ao enriquecimento de urânio, mesmo em caso de “guerra”.
As autoridades americanas e iranianas se reuniram ontem em Genebra, na Suíça, para uma segunda rodada de negociações. Segundo autoridades iranianas, as conversas serviram para chegar a um acordo sobre as “linhas gerais” de um pacto. O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, admitiu que a reunião foi “boa” em alguns aspectos, mas observou que os iranianos não aceitam “algumas linhas vermelhas” estabelecidas por Donald Trump.
Os EUA exigem acordo que inclua a limitação das capacidades balísticas do país e o fim de seu apoio a grupos armados hostis a Israel. Nas últimas semanas, Trump multiplicou as ameaças de intervenção militar no país, inicialmente em resposta à sangrenta repressão contra o movimento de protestos em janeiro e, depois, para pressionar Teerã com o objetivo de alcançar um acordo.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que Trump acredita estar criando as condições para um “bom acordo” com o Irã, mas demonstrou ceticismo quanto a sua eficácia. Netanyahu disse que o presidente americano avalia que Teerã entende “com quem está lidando” e que as pressões atuais podem favorecer um entendimento.
Os países ocidentais e Israel acusam o Irã de tentar dotar-se de armas nucleares, algo que Teerã nega. O Irã e os Estados Unidos iniciaram negociações no ano passado, mas esbarraram na questão do enriquecimento de urânio e os diálogos ficaram paralisados devido à guerra de 12 dias desencadeada em junho por um ataque israelense contra o território iraniano. Trump afirmou que os bombardeios americanos realizados durante esse conflito haviam “aniquilado” as capacidades nucleares iranianas, mas a magnitude exata dos danos continua desconhecida.
Após a repressão ao movimento de protestos em janeiro, o presidente republicano voltou a ameaçar com uma intervenção. A ONG Human Rights Activists News Agency, com sede nos Estados Unidos, disse ter confirmado 6.961 mortos, em sua maioria manifestantes, e registrou mais de 51.000 detenções. Em caso de ataque, o Irã advertiu que teria como alvo as bases americanas na região e poderia bloquear o estreito de Ormuz.
Fonte: UOL.
