A guerra de Israel no Irã está entrando em uma segunda fase, na qual seus caças atacarão locais de mísseis balísticos enterrados em profundidade, disseram duas fontes familiarizadas com a campanha militar israelense.
O ataque aéreo conjunto com os EUA no Irã está se aproximando do fim de sua primeira semana, após os primeiros disparos terem matado os líderes do país e desencadeado uma guerra regional com ataques iranianos em Israel, no Golfo Pérsico e no Iraque, além de ofensivas israelenses no Líbano.
As forças armadas israelenses afirmam ter atingido centenas de lançadores de mísseis iranianos acima do solo, que poderiam atingir cidades de Israel. A segunda fase incluirá como alvos bunkers para armazenamento de mísseis balísticos e equipamentos, disseram as fontes, que falaram sob condição de anonimato devido à delicadeza do assunto.
Uma delas afirmou que o objetivo é neutralizar a capacidade do Irã de lançar ataques aéreos contra Israel até o final da guerra, que também tinha como foco eliminar a liderança da República Islâmica.
Um porta-voz militar não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre os planos de ataque. Os militares já haviam afirmado que, juntamente com as forças armadas dos EUA, assumiram o controle de grande parte do espaço aéreo iraniano nos primeiros dias dos ataques.
Em um comunicado divulgado nesta quinta-feira, os militares disseram que, durante a noite, a Força Aérea atacou “uma infraestrutura subterrânea usada pelo regime iraniano para armazenar mísseis balísticos e depósitos de mísseis destinados a serem usados contra aeronaves”.
EUA e Israel não haviam anunciado anteriormente ataques a instalações subterrâneas de mísseis.
As estimativas do arsenal de mísseis do Irã variam bastante, de aproximadamente 2.500 antes da guerra, segundo as forças armadas israelenses, a cerca de 6.000, de acordo com outros analistas. A extensão do que resta pode ser crucial para o desenrolar da guerra. Teerã continuou realizando ataques com mísseis contra Israel e em toda a região.
Douglas Barrie, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, com sede no Reino Unido, afirmou na quarta-feira que o Irã ainda possui alguns mísseis de cruzeiro de ataque terrestre, armas guiadas com precisão que voam baixo para evitar a detecção por radar.
SISTEMA DEVE SER “CADA VEZ MAIS DEGRADADO”
Os caças da Força Aérea de Israel têm realizado missões quase constantes desde sábado, intensificando o ritmo depois que militantes do Hezbollah, grupo libanês apoiado pelo Irã, dispararam foguetes contra o território israelense. Isso provocou fortes ataques aéreos israelenses até Beirute, no norte do país.
Em alguns casos, os mesmos aviões de guerra israelenses atacaram tanto o Irã quanto o Líbano em uma única operação: bombardeando alvos em Teerã ou no oeste do Irã na ida e atingindo posições do Hezbollah na volta, segundo uma das fontes familiarizadas com os planos e uma fonte de segurança israelense.
Autoridades israelenses e norte-americanas afirmam que os lançamentos de mísseis balísticos e drones do Irã diminuíram desde sábado — uma redução que eles atribuem em parte aos ataques de EUA e Israel contra locais de lançamento iranianos e infraestrutura militar relacionada.
Os militares israelenses afirmaram que a diminuição também pode refletir um esforço de Teerã para preservar seus estoques de mísseis, enquanto se prepara para uma guerra de desgaste prolongada.
Eran Lerman, ex-vice-conselheiro de segurança nacional de Israel, disse que a esperança, após a primeira semana de ataques, era de que o sistema governante do Irã “começasse a se desintegrar mais cedo e mais rapidamente”.
“Mas isso ainda não aconteceu e, enquanto não acontecer, o sistema precisa ser cada vez mais degradado”, disse.
