Abuja, Nigéria – As autoridades nigerianas anunciaram a condenação de mais de 300 pessoas por envolvimento em atos de violência extremista na Nigéria, após uma série de julgamentos coletivos realizados no início de abril, em Abuja, capital do país. As decisões judiciais ocorrem em um momento de forte comoção nacional e internacional, poucos dias depois de ataques brutais que atingiram comunidades cristãs durante o Domingo de Ramos e o período da Páscoa, deixando dezenas de mortos.
De acordo com a BBC, mais de 500 suspeitos compareceram ao tribunal federal como parte de um julgamento em massa que se estendeu por quatro dias e foi concluído na sexta-feira, 10 de abril de 2026. Ao fim das audiências, quase 400 pessoas receberam sentenças que variam de cinco anos de prisão até prisão perpétua, segundo autoridades judiciais.
Acusados declaram a própria culpa por ataques na Páscoa
O procurador-geral da Nigéria, Lateef Fagbemi, afirmou à imprensa que 386 condenações foram obtidas entre os 508 casos analisados. Os crimes incluíam participação direta em ataques violentos e apoio a grupos armados, seja por meio de financiamento, fornecimento de armas ou suporte logístico.
Além das condenações, houve oito liberações, duas absolvições e 112 casos adiados, que serão analisados em sessões futuras, segundo a Deutsche Welle (DW). Parte dos acusados se declarou culpada logo no início do processo judicial.
Organizações independentes acompanham os julgamentos
Os julgamentos ocorreram na Corte Federal Superior, em Abuja, e foram acompanhados por diversas organizações independentes, nacionais e internacionais, com o objetivo de monitorar a legalidade e a transparência do processo. Entre elas estavam o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), a Anistia Internacional e a Ordem dos Advogados da Nigéria.
A presença desses observadores reforça os esforços do governo nigeriano para responder às críticas sobre impunidade e à pressão internacional por maior responsabilização diante da violência que afeta o país há mais de uma década, especialmente regiões onde comunidades cristãs são frequentemente alvo.
Medidas insuficientes para gravidade da situação na Nigéria
Para John Samuel (pseudônimo), especialista jurídico da Portas Abertas na região da África Subsaariana, as condenações representam um avanço importante, mas ainda insuficiente diante da gravidade da situação.
“Reconhecemos os esforços crescentes do governo nigeriano para responsabilizar os envolvidos em ataques violentos. No entanto, a escala da violência, evidenciada nos ataques em Jos durante o Domingo de Ramos, mostra a urgência de que o governo faça mais para proteger civis.”
Embora as condenações não apaguem a dor das perdas recentes, especialmente após os ataques da Páscoa, líderes cristãos e organizações de apoio veem as decisões judiciais como um passo importante rumo à justiça e à responsabilização. A expectativa é que essas ações contribuam para frear novos ataques.
Nigéria: 7º país da Lista Mundial da Perseguição 2026
A Nigéria ocupa a 7ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026, elaborada pela Portas Abertas, que classifica os 50 países onde cristãos enfrentam os maiores níveis de perseguição por causa da fé em Jesus.
O cenário de segurança no país é descrito como complexo e fragmentado, com múltiplos conflitos simultâneos afetando comunidades religiosas e grupos vulneráveis. Grande parte da violência contra igrejas e cristãos estava concentrada no Norte do país, impulsionada pelo grupo Boko Haram e, posteriormente, pelo Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP), uma dissidência com a mesma base ideológica extremista.
Nos últimos anos, no entanto, grande parte da violência tem avançado para o Cinturão Médio da Nigéria, onde ataques atribuídos a militantes fulanis deixaram aldeias inteiras destruídas, igrejas incendiadas e milhares de famílias forçadas a abandonar suas casas.
