Um novo estudo acaba de acender mais um alerta climático preocupante, demonstrando que águas aquecidas profundas do oceano em decorrência do aquecimento global, estão de fato avançando para a Antártida há pelo menos duas décadas.
Toda análise e as conclusões foram publicadas esta semana na revista científica Communication Earth Environment e envolvem pesquisadores de Universidades renomadas como Cambridge e Califórnia.
Alerta Global
Os pesquisadores investigaram de forma inédita propriedades físicas e químicas da massa de água quente profunda do Oceano Austral, obtidas em observações em campo e repetidas, realizadas a partir de navios e dispositivos robóticos. É a primeira vez que se têm evidências sólidas das alterações do oceano numa série histórica, até então previstas por modelos climáticos.
Uma rede de equipamentos monitorou constantemente a temperatura e a salinidade dos oceanos, o que permitiu o acúmulo de dados de longo prazo e a maior precisão nas observações das alterações que foram ocorrendo ao redor do continente antártico no decorrer dos anos.
As mudanças aparecem na abundância da água quente profunda circumpolar, uma massa mais aquecida do oceano, que se expandiu e avançou em direção ao continente antártico nos últimos 20 anos.
As análises revelaram um aumento na espessura da água quente nos 2000 metros superiores da camada próxima ao continente, consistente com uma redistribuição média em direção à Antártida.
De acordo com a publicação científica, “essas mudanças sugerem um aumento do fluxo de calor em direção à plataforma antártica, com implicações para o derretimento da base da plataforma de gelo e a elevação do nível do mar”.
As observações confirmam a tendência de aquecimento da água profunda do oceano como consequência de ações humanas no contexto do aquecimento global. Segundo os pesquisadores, os riscos são extremamente preocupantes e apontam para o derretimento das plataformas de gelo e a subida do nível do mar.
“É preocupante, porque esta água quente pode fluir sob as plataformas de gelo antárticas, derretendo-as por baixo e desestabilizando-as”, afirmou Joshua Lanham, autor principal do estudo, em comunicado divulgado pela Universidade de Cambridge.
“É como se alguém tivesse aberto a torneira de água quente e o banho estivesse esquentando”, disse uma das autoras do estudo, Sarah Purkey, do Instituto de Oceanografia Scripps.
Outro impacto do avanço das águas mais quentes em direção às plataformas de gelo é justamente a alteração na distribuição de calor, que pode afetar correntes oceânicas de forma global e influenciar o clima em diversas regiões do planeta.
“O oceano antártico desempenha um papel fundamental na regulação do armazenamento global de calor e carbono. Alterações nessa região têm implicações mais amplas para todo o sistema climático”, explicou Ali Mashayek, também autor do estudo, da Universidade de Cambridge.
