*Nomes alterados por segurança.
A crise humanitária em Cuba tem se intensificado e afetado de forma direta a população, especialmente comunidades cristãs. Falta de alimentos, apagões prolongados, escassez de medicamentos e vigilância constante das autoridades fazem parte do cotidiano de milhares de pessoas.
“Pedimos a Deus que tenha misericórdia da nossa nação. Pedimos forças para suportar”, relata Edgar, pastor em Cuba.
O pedido reflete o sentimento de muitos cristãos que enfrentam uma realidade cada vez mais difícil no país. À medida que a crise se aprofunda, cresce também o número de pessoas que recorrem às igrejas em busca de apoio básico para sobreviver.
Escassez de alimentos afeta milhões
A falta de comida é uma das expressões mais visíveis da crise. Restrições econômicas, inflação elevada e problemas no fornecimento de energia reduziram drasticamente o acesso aos alimentos. Segundo relatos locais, a situação atual é considerada mais grave do que a vivida durante o chamado “Período Especial”, nos anos 1990.
“Não temos o que comer. Tudo está extremamente caro. Os preços dobraram”, afirma Edgar*.
Em algumas regiões, itens básicos, como pão, são distribuídos apenas para crianças. O sistema de racionamento não consegue atender à demanda, e os produtos frequentemente chegam incompletos.
De acordo com o Observatório Cubano de Direitos Humanos, sete em cada dez cubanos não conseguem fazer três refeições por dia. Diante desse cenário, as igrejas se tornaram alguns dos poucos espaços onde famílias encontram ajuda, mesmo com recursos muito limitados.
Além dos alimentos, medicamentos e itens básicos também estão escassos e com preços elevados. Muitas famílias dependem de ajuda financeira de parentes que vivem no exterior, enquanto cerca de 90% dos lares vivem em situação de pobreza ou extrema pobreza.
Colapso do sistema elétrico e dificuldades no campo
A crise energética afeta praticamente todos os aspectos da vida no país. Desde 2025, os apagões diários duram entre 12 e 20 horas.
“A energia fica desligada quase o dia inteiro. Quando volta, é por poucas horas e não é suficiente. Cozinhamos com lenha. Parece que voltamos no tempo”, relata Ferney*, pastor em uma região rural.
A falta de eletricidade compromete também o acesso à água e a outros serviços básicos, sobretudo fora dos grandes centros urbanos. “A água chega apenas uma vez a cada quinze dias”, acrescenta.
Infraestrutura antiga, falta de combustível e ausência de investimentos explicam a gravidade da situação, sem perspectivas claras de recuperação a curto prazo.
Repressão e vigilância constante em Cuba
Paralelamente à crise humanitária em Cuba, a repressão estatal tem aumentado. Autoridades monitoram e punem pessoas que se manifestam, incluindo líderes cristãos e seus familiares.
Somente em um mês recente, o Observatório Cubano de Direitos Humanos registrou mais de 200 atos repressivos, entre ameaças, assédio, detenções arbitrárias e vigilância.
“Eles monitoram o que digo. Sinto que estou sendo observado o tempo todo, mesmo quando falo apenas sobre Deus”, relata o pastor Luis*.
Jovens cristãos sob pressão
Jovens cristãos também têm sido alvo das autoridades. Após protestos recentes contra o regime, houve aumento das perseguições, inclusive contra menores de idade.
Jonathan Muir foi detido após atender a uma convocação oficial. Seu pai, o pastor Elier Muir Ávila, foi liberto, mas Jonathan permanece preso, acusado de “sabotagem”.
Casos semelhantes envolvem criadores de conteúdo e jovens que se manifestaram nas redes sociais. Em algumas situações, residências foram revistadas e equipamentos apreendidos, enquanto os detidos seguem sem julgamento definido e sob acusações graves.
“Orem por mim e por minha mãe. A repressão é constante, e sem comunicação ficamos ainda mais vulneráveis”, pede uma jovem de 20 anos.
Apelo urgente por oração
Diante desse cenário, líderes cristãos fazem um apelo por oração.
“Cuba precisa de mudança, mas não esperamos isso do governo. Confiamos somente em Deus. Mesmo sem quase nada, continuamos confiando no Senhor”, afirma Ferney.
Pastores pedem que cristãos ao redor do mundo intercedam pela nação, para que haja forças para perseverar e para que a situação melhore.
