A Antártida registrou seus 15,4°C em 6 de junho de 2026, uma temperatura recorde para o mês de junho, poucos dias da entrada oficial do inverno no Hemisfério Sul. A marca superou o recorde anterior de 13,3°C em 1998 e está muito acima do normal, que seria em torno dos -6,2°C nesta época do ano.
O aquecimento global e o degelo acelerado
Os impactos do aquecimento de 20 graus acima do normal na Antártida já são visíveis. A taxa de degelo acelerado em razão do calor mudou a paisagem e várias áreas próximas à base estão sem neve a três semanas consecutivas com temperaturas diárias acima de zero grau, relatam os climatologistas.
O degelo constante cresceu seis vezes em quatro décadas. Colônias de Pinguins já estão sendo afetadas. O marrom da terra, a cor cinza das rochas e até grama, começam a aparecer em áreas que sempre foram congeladas.
Segundo o pesquisador Raúl Cordero, da Universidade de Groningen, nos Países Baixos, esta “onda de calor afetou o extremo norte da península antártica e não foi um evento isolado”.
Em outras partes do continente, bases argentinas de Marambio e San Martín também registraram recordes para o início de junho, com temperaturas máximas acima de 11°C e 9°, respectivamente.
O cientista do clima Thomas Caton Harrison, do Serviço Antártico Britânico, também ressaltou uma quantidade surpreendente de chuva, que caiu sobre áreas, onde normalmente ocorre apenas neve.
Segundo Harrison, é notável que as mudanças climáticas estejam acontecendo, mas serão necessários dados de longos anos para compreender o clima mais a fundo da região.
Os especialistas alertam para o impacto global das mudanças no continente gelado. O gelo da Antártida é crucial para regular a temperatura em grande parte do planeta.
