O treinamento militar secreto realizado pela China com as forças russas no ano passado foi aprovado pessoalmente pelo ministro da Defesa do presidente Vladimir Putin e envolveu diretamente pelo menos quatro generais russos e chineses, segundo duas autoridades europeias e documentos aos quais a Reuters teve acesso.
As autoridades afirmaram que o envolvimento de figuras de tão alto escalão em treinamentos ligados à guerra na Ucrânia sinaliza a importância dessa cooperação para Rússia e China, o que causou alarme na Europa, mesmo com Pequim negando que isso tenha ocorrido.
O documento afirmava que, de acordo com uma decisão de Belousov, uma delegação das Forças Armadas da Rússia viajou para a China a fim de participar de exercícios de treinamento nas instalações do Exército Popular de Libertação (EPL).
TREINAMENTO EM GUERRA RADIOLÓGICA, BIOLÓGICA E QUÍMICA
O mesmo relatório detalhou um dos cursos de treinamento — uma sessão de três semanas focada em proteção radiológica, química e biológica em uma instalação militar em Pequim, em novembro.
O relatório e um segundo documento descreveram e exibiram imagens de soldados russos recebendo instruções de um instrutor chinês, observando um modelo de reator nuclear e aprendendo sobre “reconhecimento químico”, “reconhecimento de radiação” e proteção de sistemas de ventilação contra contaminação.
A inclusão do treinamento em guerra radiológica, biológica e química destacou a natureza estratégica dos intercâmbios, afirmou uma das autoridades europeias, observando que o tema era particularmente delicado para as forças armadas em geral.
De acordo com uma reportagem da Reuters do mês passado, citando agências de inteligência europeias e documentos militares, a China treinou, em novembro, cerca de 200 militares russos, alguns dos quais se juntaram desde então à guerra na Ucrânia.
O Kremlin se recusou a comentar essa reportagem, mas reclamou de “informações falsas” publicadas no Ocidente.
A chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou em 15 de junho que Bruxelas havia confirmado, por meio de seus próprios canais, que o treinamento havia ocorrido e que agora estava avaliando as implicações.
Pequim descreveu os comentários dela como “nada além de calúnias”.
Fonte: Reuters.
