O surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) provocou 600 mortes, segundo o balanço atualizado da Organização Mundial da Saúde (OMS), com base em dados anunciados pelas autoridades congolesas.
O ebola, transmitido por contato com fluidos corporais e provoca febre hemorrágica, causou mais de 15 mil mortes na África ao longo dos últimos 50 anos.
A epidemia mais letal registrada na RDC deixou quase 2.300 mortos entre os 3.500 casos detectados entre 2018 e 2020.
Desde o início do atual surto foram registrados 600 mortes e 1.759 casos confirmados na RDC, indicou a OMS em um balanço com data de 7 de julho. Em Uganda, o balanço permanece em duas mortes e 20 casos confirmados.
“A epidemia continua se propagando e a verdadeira magnitude ainda não foi completamente determinada”, declarou nesta semana por videoconferência Anne Ancia, representante da OMS na RDC.
“Apesar dos avanços promissores, continuamos enfrentando desafios importantes. Os centros de tratamento atuais operam com aproximadamente 90% de sua capacidade, o que exerce uma pressão considerável sobre a resposta de saúde”, acrescentou.
O principal foco da crise, cuja real dimensão continua difícil de avaliar e que pode se prolongar por vários meses, está em Ituri, uma província do nordeste da RDC que faz fronteira com o Sudão do Sul e Uganda.
O vírus também está presente nas províncias vizinhas de Kivu do Norte e Kivu do Sul, onde as capitais provinciais e amplas áreas do território estão sob controle do grupo armado antigovernamental M23.
“Os deslocamentos de população, a insegurança persistente e a fragilidade do sistema de saúde continuam dificultando os esforços para controlar a epidemia”, explicou Ancia.
Ela acrescentou que “as necessidades humanitárias continuam significativas, especialmente em termos de proteção da população civil e de acesso a alimentos e serviços essenciais de saúde”.
A 17ª epidemia de ebola na RDC, declarada oficialmente em 15 de maio, é causada pela variante Bundibugyo, para a qual não existe vacina nem tratamento.
Segundo a OMS, um ensaio clínico de dois tratamentos direcionados contra esta variante rara começou em 2 de junho. Além disso, a organização autorizou o uso emergencial do primeiro teste de diagnóstico molecular para detectar este vírus.
Fonte: AFP.
