O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, denunciou neste domingo (26) a “política genocida” de Washington contra Cuba, acusando os Estados Unidos de quererem “se apropriar do país”.
Desde janeiro, o governo de Donald Trump aplica uma política de pressão máxima sobre a ilha comunista, situada a 150 km da costa da Flórida. Ao embargo em vigor desde 1962 somaram-se um bloqueio petrolífero e uma longa lista de sanções contra empresas e dirigentes cubanos.
Essas medidas provocaram uma queda drástica no turismo, a saída de diversas empresas estrangeiras e o esvaziamento das entradas de divisas. As sanções mais recentes, anunciadas na quinta-feira, atingem o programa de missões médicas cubanas no exterior, uma das principais fontes de receita do país.
“Cuba enfrenta hoje um desafio histórico” contra “uma política genocida cujo objetivo é asfixiar todo um povo para se apropriar do país”, afirmou o chefe de Estado cubano na província de Pinar del Río (oeste).
Díaz-Canel participava da celebração do 73º aniversário do ataque ao quartel Moncada, liderado por Fidel Castro em 1953, no leste da ilha, episódio considerado o início da luta revolucionária.
“O bloqueio é uma arma de guerra e provoca mortes”, acusou o presidente, dizendo que Washington busca provocar, em Cuba e em outros países, uma “explosão social com o único objetivo de impor governos alinhados aos seus interesses imperiais”.
Na ilha de 9,4 milhões de habitantes, a crise energética causa apagões de até 30 horas na capital e de vários dias seguidos em outras regiões. A situação enfraquece os serviços públicos e alimenta o descontentamento social. O país também sofreu três blecautes gerais em julho.
Manifestações ocorrem regularmente em Havana, sobretudo à noite. Moradores batem panelas e queimam pilhas de lixo para protestar contra os constantes cortes de energia, de água e contra a falta de alimentos.
O presidente cubano pediu “unidade” e a “implementação das transformações econômicas e sociais”, anunciadas em meados de junho como um programa de 176 medidas que prevê uma guinada importante rumo a uma economia de mercado.
O presidente Donald Trump afirma que Cuba representa “uma ameaça extraordinária” à segurança nacional dos Estados Unidos. Ele já ameaçou várias vezes “assumir o controle” da ilha.
Fonte: RFI.
