No Sudão do Sul, mais de 650 mil refugiados e requerentes de asilo correm o risco de sofrer novas reduções no acesso à assistência alimentar, devido a cortes no financiamento dos serviços humanitários.
Esta situação deixa famílias que fogem da guerra no Sudão sem acesso à ajuda humanitária necessária. O alerta partiu da Agência das Nações Unidas para os Refugiados, Acnur, e do Programa Alimentar Mundial, WFP.
Milhares fogem do conflito
Muitos destes deslocados atravessam as fronteiras do Sudão para o Sudão do Sul sem recursos, exaustos, com fome e em necessidade urgente de proteção e assistência, como contou Mesfin Degefu, representante do Acnur no Sudão do Sul.
As agências da ONU indicam que até 3 mil refugiados e pessoas que voltam à casa entram no Sudão do Sul, todas as semanas, em busca de alimentos, abrigo e segurança.
A prevista redução do apoio essencial aos refugiados ocorre no auge da estação das chuvas. Para enfrentar o aumento dos custos alimentares, muitas famílias deslocadas têm reduzido o número de refeições, bem como os gastos com saúde, educação e abrigo.
Sudão do Sul enfrenta crise alimentar
O Sudão do Sul tem mantido a sua política de portas abertas para os refugiados, acolhendo mais de 1,4 milhão de pessoas desde o início da guerra no Sudão, em 2023.
Ao mesmo tempo, o país da África Oriental enfrenta uma das piores emergências de insegurança alimentar do mundo.
Mais de 7,8 milhões enfrentam níveis elevados de insegurança alimentar aguda no Sudão do Sul. Trata-se de mais de metade da população do país, no qual 2,2 milhões de crianças sofrem de subnutrição aguda.
Sem financiamento imediato e urgente, a última assistência alimentar e nutricional destinada aos 240 mil refugiados mais vulneráveis em todo o país será prestada em setembro, interrompendo um apoio vital para centenas de milhares de pessoas, alertam ambas as agências.
Corte de financiamento compromete assistência
O WFP enfrenta uma lacuna de financiamento na ordem dos US$ 37 milhões para a sua resposta aos refugiados, ameaçando o apoio prestado a 4,2 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar no país.
Por sua vez, o Acnur apenas conseguiu assegurar 28% dos US$ 286 milhões necessários para garantir proteção e assistência essenciais a quase 4 milhões de pessoas e comunidades de acolhimento vulneráveis.
As consequências de uma interrupção da ajuda essencial seriam imediatas e duradouras para milhares de famílias refugiadas, incluindo riscos acrescidos de subnutrição, exploração e abuso de mulheres e crianças.
Neste sentido, ambas as agências apelam à comunidade internacional para disponibilizar financiamento imediato e flexível, evitando a suspensão de assistência essencial e protegendo famílias vulneráveis da crise.
Fonte: DW.
