O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, agradeceu nesta terça-feira (1º) ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, pela posição de Moscou em relação à guerra no Oriente Médio e às sanções impostas ao país.
Pezeshkian afirmou também que Irã e Rússia podem resistir juntos ao que chamou de “unilateralismo” dos Estados Unidos. As falas ocorreram durante um encontro bilateral entre os dois líderes às margens de uma cúpula na capital do Quirguistão, Bishkek.
Putin disse ao homólogo iraniano que as relações econômicas e comerciais entre Irã e Rússia continuam apesar do atual cenário militar e político decorrentes da guerra no Oriente Médio. O encontro entre os dois começou por volta das 9h no horário de Brasília, e não havia sido concluído até a última atualização desta reportagem.
Mais cedo, Pezeshkian prometeu que Teerã voltaria “imediatamente” a cumprir os termos do acordo de paz preliminar que o país assinou com os EUA caso Washington também o fizesse —esse documento foi violado em julho, apenas um mês após a assinatura. A declaração foi interpretada como um aceno ao governo Trump após uma nova troca de bombardeios entre os dois países ocorrida no final de semana.
“Declaro explicitamente que, se os Estados Unidos retornarem a seus compromissos do protocolo do acordo [de paz preliminar], a República Islâmica do Irã adotará imediatamente medidas recíprocas. (…) Ao contrário dos EUA, o Irã tem um histórico brilhante de cumprir com seus tratados internacionais”, declarou Pezeshkian em Bishkek, capital do país da Ásia Central.
Putin, Pezeshkian e outros 15 chefes de Estado e de Governo estão em Bishkek para participar da reunião de cúpula que marca os 25 anos da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), uma organização que visa se contrapor à influência global dos EUA. O presidente da China, Xi Jinping, e o premiê da Índia, Narendra Modi, também compareceram à cúpula.
Em meados de junho, Teerã e Washington assinaram o chamado protocolo de acordo de Islamabad para acabar com as hostilidades, iniciadas em 28 de fevereiro com os ataques americanos e israelenses contra o Irã, que provocaram a morte do antigo guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. O acordo, no entanto, foi rompido no início de julho por conta da retomada das hostilidades.
Após um mês de calma em agosto, as forças militares dos Estados Unidos atacaram na segunda-feira o estratégico Estreito de Ormuz e o Irã atingiu, em retaliação, alvos americanos na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos.
Na segunda-feira, o presidente iraniano já havia declarado que não interessa a Teerã prolongar a guerra contra Washington.
O presidente iraniano também tem uma reunião prevista com seu homólogo russo, Vladimir Putin, à margem do encontro de cúpula do bloco regional que pretende atuar como um contraponto à influência ocidental.
Entre os vários encontros bilaterais previstos, Putin também tem na agenda uma reunião com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, para tratar da guerra na Ucrânia, segundo o Kremlin, após quatro anos e meio de um conflito que não mostra qualquer sinal de apaziguamento.
A Turquia recebeu várias rodadas de negociações para tentar acabar com o conflito mais violento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
As negociações diplomáticas, sob mediação americana, permanecem estagnadas.
Fonte: G1.
