*Nomes alterados por segurança.
Em 21 de setembro, o mundo celebra o Dia Internacional da Paz. A data foi criada para promover a reconciliação entre os povos e incentivar ações em favor de sociedades mais justas e seguras. Porém, para milhões de cristãos perseguidos, a paz tem um significado ainda mais profundo.
Segundo a Lista Mundial da Perseguição 2026, mais de 388 milhões de cristãos enfrentam altos níveis de perseguição e discriminação por seguirem a Jesus. Em muitos países, a violência, a insegurança e a pressão religiosa tornam a paz uma realidade distante.
Neste Dia Internacional da Paz, descubra como unir sua voz à Igreja Perseguida na África Subsaariana, intercedendo por aqueles que continuam vivendo sob ameaça e insegurança para testemunhar a paz de Cristo em suas comunidades.
O que é o Dia Internacional da Paz?

O Dia Internacional da Paz é uma data dedicada à promoção da paz e da compreensão entre nações e povos em todo o mundo. A Assembleia Geral das Nações Unidas instituiu este dia em 21 de setembro de 1981 com o objetivo de fortalecer os ideais de paz e incentivar todos os países e pessoas a cessarem as hostilidades e observarem um dia de unidade global, de acordo com a Enciclopedia Britannica.
Outras datas do calendário internacional como o Dia do Armistício (11 de novembro), que comemora o fim da Primeira Guerra Mundial, reforçam mensagens sobre a importância da paz em contextos de conflitos e guerras, e incluem tradições como um minuto de silêncio e o uso de papoulas ou centáureas como símbolos de lembrança daqueles que lutaram e morreram em guerras.
O Dia Internacional da Paz é uma oportunidade para refletir sobre reconciliação, justiça e convivência pacífica entre povos e comunidades. Para os cristãos, a data também nos lembra da responsabilidade de interceder por aqueles que vivem em contextos marcados pela violência, pelos conflitos e pela perseguição.
O que a Bíblia ensina sobre a paz?

Jesus apresentou uma perspectiva diferente sobre a paz. Na Bíblia, ter paz não depende das circunstâncias. Mesmo em meio às dificuldades, aqueles que confiam em Deus conseguem encontrar paz. O próprio Jesus reforçou essa lição enquanto cumpria seu ministério na terra:
“Deixo a paz a vocês; a minha paz dou a vocês. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o seu coração, nem tenham medo”.
João 14.27
Ao mesmo tempo, a palavra de Deus nos chama a buscar ativamente a paz, promover a reconciliação e cuidar daqueles que sofrem. Ou seja, além da definição da segurança e confiança estabelecidas no caráter de Deus e não nas circunstâncias, as Escrituras encorajam os seguidores de Jesus a promover a paz.
Veja outras passagens emblemáticas sobre a paz na Bíblia:
O que significa paz para a Igreja Perseguida?

Ao olhar para a realidade da Igreja Perseguida, entendemos que a paz não é definida apenas pela ausência de guerra. Liberdade, dignidade, segurança e esperança também são fundamentais para configurar um contexto de paz que permita que cristãos perseguidos possam viver e testemunhar a fé.
Para cristãos que vivem em contextos de perseguição, paz significa muito mais do que o silêncio das armas.
Ela representa:
- liberdade para se reunir em culto;
- liberdade para compartilhar a fé;
- segurança para as famílias;
- permanência nas comunidades onde nasceram e vivem;
- possibilidade de educar os filhos sem medo;
- esperança de um futuro sem violência.
Hoje, essas garantias ainda são negadas a muitos irmãos e irmãs na fé, especialmente na África Subsaariana, onde estão os países com maiores índices de violência contra cristãos.
Por que muitos cristãos africanos ainda clamam por paz?

A África Subsaariana se tornou a região mais mortal do mundo para os cristãos. Segundo a Lista Mundial da Perseguição 2026, 93% de todas as mortes de cristãos registradas por causa da fé ocorreram nessa região. Dos 4.849 assassinatos documentados durante o período de pesquisa, 4.491 aconteceram em países da África Subsaariana.
A violência afeta comunidades inteiras. Além dos assassinatos, milhares de cristãos enfrentam sequestros, deslocamento forçado, destruição de propriedades e traumas emocionais profundos.
A pesquisa também mostra que quase 90% dos cristãos sequestrados no mundo vivem na região e que mais de 165 mil seguidores de Jesus foram obrigados a abandonar suas casas.
Diante desse cenário, a campanha Desperta África busca mobilizar cristãos ao redor do mundo em oração, conscientização e apoio à Igreja Perseguida.
Taxas, guerra ou apostasia: a igreja sob pressão no Mali

O Mali é um exemplo de como a paz continua distante para muitos cristãos africanos. O país ocupa a 15ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026, o ranking com os 50 lugares onde é mais difícil seguir a Jesus e está entre os países que atingiram o índice máximo de violência contra cristãos.
Em diversas regiões do Mali, especialmente nas áreas rurais do Centro e do Sul, grupos extremistas como o Jama’at Nasr al-Islam wal-Muslimin (JNIM) e Estado Islâmico no Grande Saara (ISGS, da sigla em inglês) ocuparam espaços deixados por autoridades civis e passaram a exercer influência sobre a população local. Como consequência, comunidades cristãs enfrentam ameaças constantes, restrições à prática da fé e crescente insegurança.
Em setembro de 2026, parceiros locais da Portas Abertas relataram que diversas igrejas foram pressionadas a pagar a chamada jiziya, uma taxa imposta por grupos extremistas para permitir a continuidade de cultos, casamentos e outras atividades cristãs.
“A cobrança dos impostos sobre as igrejas começou em 2018, quando grupos militantes islâmicos começaram a oferecer acordos de não agressão para os vilarejos”, relata um parceiro local da Portas Abertas.
Em meio ao conflito, a igreja no Mali precisa escolher entre a guerra, as taxas ou a apostasia ao cristianismo. Essas são as opções que cristãos no Mali têm nessas comunidades:
- Negar a fé em Jesus e converter-se ao islamismo.
- Manter a fé cristã, mas sair do vilarejo onde viviam.
- Oferecer pessoas das comunidades para se tornarem jihadistas, ou seja, tornarem-se soldados dos grupos militantes e apoiarem a guerra contra o governo.
Algumas igrejas permaneceram abertas após o pagamento de taxas equivalentes a 53 mil dólares, enquanto outras foram fechadas temporariamente por não conseguirem atender às exigências impostas.
Entre 2024 e 2026, ao menos quatro igrejas foram fechadas e outras sete tiveram suas atividades suspensas temporariamente até o pagamento das taxas.
Um clamor por paz para compartilhar a fé
“A maior dificuldade que enfrentamos em relação à nossa fé é não podermos compartilhar o evangelho livremente”, afirma o pastor Saydou Saye*.
A situação reflete uma realidade observada em diversos países da região, em que governos enfraquecidos permitem que grupos armados ampliem sua influência sobre comunidades vulneráveis.
“Os jihadistas passaram por várias igrejas e exigiram milhões de francos. É por isso que relatamos nossas dificuldades para vocês.
Estamos sofrendo profundamente. Muitas pessoas já não têm o que comer, porque entregaram tudo aos jihadistas.”
Pastor Ousmane Dolo*, pastor sênior de uma igreja em Mopri
Como apoiar a Igreja Perseguida neste Dia Internacional da Paz?
Neste Dia Internacional da Paz, você pode se unir à campanha Desperta África: pelo fim da violência e início da cura.
A iniciativa tem o objetivo de mobilizar cristãos ao redor do mundo para apoiar a Igreja Perseguida na África Subsaariana por meio da oração, da conscientização e do encorajamento. Até 2027, a campanha pretende apoiar milhões de cristãos afetados pela violência extrema na região.
Você pode participar:
- Orando pelos cristãos perseguidos.
- Assinando a petição global pelo fim da violência.
- Compartilhando informações sobre a realidade da Igreja Perseguida.
- Incentivando sua igreja a se envolver na campanha.
Como orar pela Igreja Perseguida no Dia Internacional da Paz?
- Ore para que os cristãos no Mali permaneçam firmes na fé apesar das dificuldades.
- Interceda pelos líderes de igrejas que enfrentam pressões e ameaças por causa do evangelho.
- Clame para que famílias deslocadas encontrem proteção, sustento e esperança.
- Ore para que os membros dos grupos extremistas conheçam a paz de Cristo e sejam transformados por seu amor.
Perguntas frequentes
O que é o Dia Internacional da Paz?
É uma data dedicada à promoção da paz, da reconciliação e da convivência pacífica entre povos e comunidades.
O que é a jiziya?
É uma cobrança imposta por grupos extremistas como o Jama’at Nasr al-Islam wal-Muslimin (JNIM) e o Estado Islâmico no Grande Saara (ISGS, da sigla em inglês) a comunidades não muçulmanas em algumas regiões sob sua influência, restringindo a liberdade religiosa.
O que é a campanha Desperta África?
É uma iniciativa global da Portas Abertas que busca mobilizar cristãos pelo fim da violência e início da cura na África Subsaariana.
Como orar pelos cristãos perseguidos no Mali?
Ore por proteção, perseverança, liberdade para viver a fé, reabertura de igrejas afetadas pela violência e transformação daqueles que promovem a perseguição.

