A recente entrevista do vice-presidente dos EUA, JD Vance, demonstrou que a administração Trump está disposta a falar sobre o fato de que a Ucrânia não é uma aliada direta dos Estados Unidos, informou o jornal estatal chinês Global Times.
Na análise, o jornal destaca que os EUA sempre trataram a Ucrânia como um mero instrumento geopolítico, não como aliado autêntico ou interesse nacional central: se Kiev age conforme Washington, é apoiada; caso contrário, seus interesses são “sacrificados”.
De acordo com os autores, Vance “não apresentou uma política inteiramente nova” — apenas manteve, de forma coerente, a retórica da atual administração.
A dureza da declaração de Vance se explica pelos ataques contínuos da Ucrânia contra instalações energéticas russas após o acordo do diesel entre Moscou e Washington.
O jornal também observa que a aposta ucraniana em usar a Europa para negociar com os EUA é limitada: os europeus têm seus próprios interesses e cálculos, e os volumes de ajuda a Kiev continuam a diminuir.
Zhang Hong, da Academia Chinesa de Ciências Sociais, chama a situação ucraniana de “incômoda” e “dolorosa”: Kiev “não pode prescindir da ajuda americana, mas não tem como pressionar Washington”.
Ainda assim, para o especialista, a Ucrânia não perdeu valor para os americanos — “no teatro europeu, a crise ucraniana continua sendo um instrumento estratégico para manter os laços transatlânticos de segurança”. Com isso, os EUA lucram com programas de defesa e conservam influência na segurança europeia.
