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EUA atingem alvos no Irã horas antes das eleições de meio de mandato

por Últimos Acontecimentos
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Os Estados Unidos atacaram nesta terça-feira (03/11) a ilha iraniana de Qeshm, segundo autoridades do governo americano.

Os ataques ocorreram pouco antes do início das eleições de meio de mandato nos EUA, consideradas como um “plebiscito” sobre o governo do presidente Donald Trump, que enfrenta baixos índices de popularidade.

Trump havia afirmado que os EUA não lançariam ataques ao Irã antes das eleições de meio de mandato. A guerra impopular contra o Irã e o impacto dela nos preços têm representado um ponto de vulnerabilidade para o Partido Republicano, que busca manter o controle do Congresso.

A ilha de Qeshm se encontra numa localização estratégica no Estreito de Ormuz, uma via de navegação essencial para o escoamento da produção de petróleo e gás natural do Oriente Médio que se tornou um ponto central do conflito entre os EUA e o Irã, desestabilizando os mercados globais.

Autoridades americanas não identificadas, citadas pelos jornais americanos The Wall Street Journal (WSJ) e The New York Times, pela emissora CNN e por agências de notícias, descreveram os ataques como de natureza limitada e defensiva. O WSJ afirmou que esta foi apenas a mais recente de várias operações militares dos EUA na região não reconhecidas oficialmente.

Segundo o jornal, os ataques não foram anunciados publicamente para evitar a impressão de que Washington teria intenções de retomar operações de combate em larga escala.

A mídia estatal iraniana relatou que explosões foram ouvidas nas ilhas de Qeshm e Hengam, no Estreito de Ormuz, e na região continental próxima de Bandar Abbas. Alguns moradores afirmaram ter visto duas aeronaves sobrevoando a região.

Segundo informações divulgadas pelas agências de notícias Reuters e Associated Press, os ataques americanos teriam atingido instalações de mísseis utilizados contra alvos americanos na região.

Sinais contraditórios de Washington

Os EUA e Israel iniciaram o conflito com o Irã em fevereiro, com uma onda massiva de ataques ao território iraniano.

Os ataques desta terça-feira ocorreram horas depois de Trump sinalizar um possível acordo de paz com Teerã. “O Irã quer um acordo, o mais rápido possível”, escreveu o republicano em sua rede social, a Truth Social.

Trump, no entanto, afirmou à emissora americana Fox News – horas antes da abertura dos locais de votação – que os EUA ainda poderiam “ter de atacar a Montanha da Picareta”, se referindo a uma instalação subterrânea fortificada no centro do Irã. O local está sob suspeita de abrigar atividades nucleares, embora Teerã negue a existência de uma instalação desse tipo.

O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, declarou que tanto ele quanto Trump estavam otimistas quanto à possibilidade de se chegar a um acordo. “Certamente fizemos algum progresso. Veremos se conseguimos avançar ainda mais”, disse Vance nesta segunda-feira.

Na semana passada, o portal de notícias Axios relatou que Vance enviou uma carta ao chefe de segurança nacional do Irã, Mohsen Rezaei, sobre uma possível retomada das negociações, no que teria sido o contato de mais alto nível entre os dois países em meses.

O primeiro vice-presidente do Irã, Mohammad Reza Aref, afirmou que as mensagens recebidas de Washington representam “um reconhecimento da nossa vitória”.

Irã tem plano de reabertura em dois dias

O ministro do Exterior do Irã, Abbas Araghchi, confirmou que negociações indiretas com os Estados Unidos estão em curso. “Dada a sensibilidade e a gravidade da situação atual, as consultas e deliberações estão sendo muito intensas”, declarou.

Nesta terça-feira, Mohammad Bagher Ghalibaf, o principal negociador de Teerã nas conversas com os EUA, afirmou que o Irã, embora esteja preparado para a guerra, apresentou uma “resposta racional” a Washington. “Agora, cabe aos Estados Unidos evitar a guerra”, pontuou.

Uma autoridade iraniana de alto escalão declarou que o Irã estaria pronto para reabrir o Estreito de Ormuz num prazo de dois dias, mas apenas se Washington concordar com uma lista de exigências apresentada por Teerã.

Como gargalos no mar deixam até grandes potências em risco

Os preços do petróleo despencaram mais de 7% nesta segunda-feira, impulsionados pelo otimismo quanto a um possível fim do conflito, que já dura oito meses.

Teerã rejeita novas concessões

Em setembro, o Irã propôs um plano de sete dias para a reabertura do estreito, que incluía demandas como o encerramento da guerra em todas as frentes, o descongelamento de ativos iranianos, a suspensão das sanções ao petróleo e o fim do bloqueio aos portos iranianos.

“A possibilidade de implementar esse plano em dois dias é mais um indicativo da boa-fé do Irã”, disse Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério iraniano do Exterior.

Em entrevista à emissora Al Jazeera, divulgada neste domingo, Araghchi afirmou que os EUA devem aceitar uma nova rota, acordada entre o Irã e Omã, para o tráfego marítimo através do estreito.

Ele acrescentou que Washington também deve remover as sanções impostas recentemente e reduzir o contingente de tropas americanas na região.

Autoridades iranianas alertaram repetidamente que haverá retaliações de grande escala caso os EUA retomem a guerra.

Fonte: DW.

“E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;…” Mateus 24:6

03 de novembro de 2026.

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