Dezenas de milhões de pessoas podem enfrentar fome e inanição se os carregamentos de fertilizantes forem bloqueados na travessia do Estreito de Ormuz “dentro de algumas semanas”, afirmou nesta segunda-feira, 11, o diretor-executivo do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (Unops), Jorge Moreira da Silva.
Em retaliação à ofensiva lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra o território iraniano no fim de fevereiro, o Irã mantém o Estreito de Ormuz bloqueado há meses. Antes do conflito, cerca de um terço dos fertilizantes do mundo passava pela hidrovia.
As exportações que transitam pela via marítima têm como principais destinos Brasil, China, Índia e países africanos.
“Temos algumas semanas para evitar o que provavelmente será uma grande crise humanitária”, disse Silva em entrevista à Agence France-Presse.
“Poderíamos presenciar uma crise que mergulharia mais 45 milhões de pessoas na fome e na inanição”, acrescentou.
Em março, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, criou um grupo de trabalho, liderado por Silva, para implementar um mecanismo que permita a passagem de fertilizantes e de matérias-primas relacionadas, como amônia, enxofre e ureia.
O diretor-executivo afirmou ter se reunido com representantes de mais de 100 países para garantir o apoio dos Estados-membros da ONU ao mecanismo. No entanto, a iniciativa ainda não conseguiu convencer as partes envolvidas no conflito – EUA, Irã e países do Golfo.
O plantio ‘não espera’
“O problema é que a época de plantio não espera”, afirmou Silva, observando que alguns países africanos encerram o período de plantio em apenas algumas semanas.
Segundo ele, a passagem diária de cinco navios carregados com fertilizantes e outras matérias-primas permitiria aos agricultores evitar uma crise. “É uma questão de tempo. Se não atacarmos rapidamente a raiz da crise, teremos que lidar com as consequências por meio de ajuda humanitária”, acrescentou.
Caso um acordo seja alcançado, o mecanismo poderá estar operacional em sete dias, afirmou o diretor-executivo. Ele acrescentou que, mesmo que o estreito fosse reaberto imediatamente, seriam necessários ao menos quatro meses para que a situação voltasse ao normal.
Embora os preços dos alimentos ainda não tenham disparado, Silva relatou um “aumento acentuado” nos preços dos fertilizantes, o que, segundo especialistas, inevitavelmente levará a uma queda na produtividade agrícola e, consequentemente, a uma alta nos preços dos alimentos.
Fonte: AFP.
