A chegada do verão traz desafios adicionais para os cristãos presos na Coreia do Norte. De acordo com estimativas da Portas Abertas e dados citados pelo Relatório Internacional de Liberdade Religiosa do Departamento de Estado dos Estados Unidos, entre 50 mil e 70 mil norte-coreanos estão presos por causa da fé cristã.
Para essas pessoas, os meses mais quentes do ano, que correspondem aos meses de inverno no hemisfério Sul, significam jornadas de trabalho ainda mais longas. O verão marca o período mais intenso da atividade agrícola, e muitos prisioneiros são forçados a trabalhar nos campos desde as primeiras horas da manhã até o anoitecer.
Em alguns casos, a carga diária ultrapassa 12 horas de trabalho sob temperaturas elevadas.
Sobrevivência em condições extremas
Outros destinos dos cristãos presos são as minas, fábricas ou atividades que envolvem substâncias tóxicas, frequentemente sem equipamentos de proteção. Em muitas regiões do país, os termômetros ultrapassam os 32°C durante o verão, tornando as condições de trabalho ainda mais difíceis.
Além do calor intenso, os prisioneiros enfrentam falta de água potável, alimentação insuficiente e ausência de períodos adequados de descanso. As rações distribuídas costumam ser compostas por pequenas porções de milho, quantidade muito abaixo do necessário para quem realiza trabalho físico pesado diariamente.
Punição para presos que não cumprem as metas
Relatos de sobreviventes descrevem casos de exaustão, desidratação, insolação e desnutrição. Segundo testemunhos coletados pela Portas Abertas, aqueles que não conseguem cumprir as metas estabelecidas pelas autoridades podem sofrer punições, incluindo redução das rações alimentares.

As altas temperaturas também favorecem infecções e a propagação de doenças nos alojamentos superlotados. O acesso a atendimento médico é extremamente limitado.
”Como alguém pode sobreviver a esses campos de trabalho? As circunstâncias são difíceis. Mostram que seres humanos podem ser muito resilientes. Apesar de muitos ex-prisioneiros terem explicado que é difícil conseguir pensar nesses lugares terríveis.
Apenas um pensamento ocupa suas mentes: como sobreviver durante a próxima hora? Muitas pessoas comem ratos, sapos e cobras para obter mais energia”, relata um parceiro da Portas Abertas.
A gravidade da situação foi evidenciada em reportagens anteriores do portal Daily NK, que relatam que entre mais de 200 norte-coreanos desertores repatriados à força da China, todos os que tiveram contato com o cristianismo foram enviados para campos de prisioneiros políticos.
Na Coreia do Norte, qualquer envolvimento com a fé cristã pode ser considerado uma ameaça ao regime. Por isso, muitos cristãos vivem a fé em segredo, correndo risco de prisão caso sejam descobertos.
A esperança que permanece atrás das grades
Apesar das dificuldades, testemunhos compartilhados por parceiros locais mostram que cristãos presos continuam encontrando maneiras de encorajar uns aos outros dentro dos campos de trabalho forçado.
“Sim, temos testemunhos de pessoas que encontraram cristãos nesses campo. Eles ajudavam uns aos outros sempre que possível, mas também sofriam profundamente.
Muitos morrem. Por isso pedimos a você, parceiro da Portas Abertas, que ore por nossos irmãos e irmãs em Cristo. Eles podem contar com você?”
Parceiro da Portas Abertas que apoia cristãos norte-coreanos

Um parceiro da Portas Abertas relata que alguns sobreviventes mencionaram ter conhecido outros seguidores de Jesus durante o período de detenção. Embora as condições sejam extremamente severas, a comunhão entre cristãos e a esperança em Deus permanecem como fonte de fortalecimento para muitos deles.
Essa realidade lembra uma convicção frequentemente compartilhada pelo Irmão André, fundador da Portas Abertas:
“Nossas orações podem chegar aonde não podemos. Não há barreiras, prisões ou portas fechadas quando nós oramos.”
Ore pelos cristãos presos na Coreia do Norte
- Agradeça a Deus pela perseverança dos cristãos que permanecem firmes na fé apesar da perseguição.
- Ore para que o Senhor fortaleça física e emocionalmente os prisioneiros submetidos a trabalho forçado durante o verão.
- Interceda pelos cristãos que estão doentes ou feridos e não têm acesso a tratamento médico adequado.
- Peça que os guardas e autoridades conheçam o amor de Cristo ao testemunhar a esperança dos cristãos presos.
