O Ministério da Saúde autorizou a compra de até 20 mil doses da vacina contra a mpox para reforçar o estoque estratégico do imunizante.
O que foi autorizado
Compra será feita por meio do Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), após reunião realizada nesta quarta-feira. A pasta afirma que a medida busca garantir a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) conforme as necessidades apontadas pelo monitoramento epidemiológico e pelas ações de prevenção e controle.
Ministério da Saúde também reforçou o envio de doses ao Rio de Janeiro em meio à alta de casos no estado. Na quarta-feira, foram encaminhadas mais 2 mil doses.
Oferta limitada no mercado global mantém a vacinação restrita a grupos com maior risco. No Brasil, a estratégia prioriza pessoas vivendo com HIV/Aids com imunossupressão, com contagem de linfócitos CD4 inferior a 100 células/mm³, em esquema de duas doses com intervalo de 28 dias.
Quando há sobra de doses, a vacinação pode ser ampliada para outros públicos definidos pela estratégia nacional. Entre eles estão pessoas vivendo com HIV/Aids com CD4 inferior a 200 células/mm³, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP), profissionais de laboratório que trabalham com Orthopoxvírus e contatos diretos de médio ou alto risco, após avaliação da vigilância em saúde.
Ministério da Saúde diz que a compra tem caráter preventivo para recompor estoques. “Apesar da redução, a ocorrência de casos mantém a necessidade de vigilância e de disponibilidade de imunizantes para atender às demandas identificadas nos estados. Nesse contexto, a aquisição de novas doses tem caráter preventivo e estratégico, permitindo recompor estoques e assegurar a capacidade de resposta do SUS diante da evolução do cenário epidemiológico”, afirmou a pasta, em nota.
Casos caem no país, mas Rio registra alta em 2026
Brasil notificou 665 casos de mpox em 2026 até outubro, com 218 no Rio de Janeiro. O total nacional representa queda de 94% em relação a 2022, quando houve 10.821 notificações, e no estado fluminense a redução foi de 84,2% ante os 1.381 registros daquele ano.
Em comparação com 2025 e 2024, o país também mostra tendência de diminuição. Painel epidemiológico do Ministério da Saúde aponta 1.074 diagnósticos confirmados em 2025, abaixo dos 1.989 registrados em 2024.
No estado do Rio, painel epidemiológico indica 269 casos confirmados em 2026, alta de 126% sobre 2025. Na capital, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) registrou 55 casos em outubro, o maior número mensal desde outubro de 2022, e informou que os registros recentes seguem dentro da oscilação esperada desde a introdução da doença.
Secretaria municipal diz que mantém monitoramento e ações de prevenção e controle. “A Superintendência de Vigilância em Saúde mantém monitoramento contínuo da situação epidemiológica, com investigação oportuna dos casos e acompanhamento clínico dos pacientes, além de promover medidas de prevenção em controle em conjunto com demais áreas técnicas da SMS”.
Distrito Federal também relatou aumento recente de casos, com oito infecções em outubro. Segundo a Secretaria de Saúde do DF, foram 23 casos em 2026 até a primeira semana de novembro, e 35% deles ocorreram no último mês.
O que é mpox e quando procurar atendimento
Mpox é uma doença infecciosa causada por um vírus do gênero Orthopoxvirus, com transmissão principalmente por contato direto. Entre as formas de contágio estão contato com lesões na pele, secreções corporais, objetos contaminados e contato próximo e prolongado com secreções respiratórias.
Incubação costuma variar de três a 16 dias, podendo chegar a 21 dias, e os sintomas mais comuns incluem lesões na pele, febre e ínguas. O Ministério da Saúde orienta procurar uma unidade de saúde em caso de lesões associadas a febre ou linfonodos inchados, contato próximo com caso suspeito/confirmado ou pertencimento a grupos com maior risco de complicações.
Ministério da Saúde recomenda avaliação médica diante de sintomas e orienta que contatos também busquem orientação. “Pessoas com sintomas compatíveis com mpox, como lesões ou erupções na pele, devem procurar um serviço de saúde para avaliação. Durante o atendimento, os profissionais investigam possíveis exposições, orientam sobre os cuidados necessários e, quando indicado, realizam a coleta de amostras para diagnóstico laboratorial. Quem teve contato próximo com pessoas com suspeita ou confirmação da doença também deve procurar um serviço de saúde para avaliação do risco de exposição e receber orientações sobre o monitoramento de sinais e sintomas, como lesões na pele, febre e aumento dos linfonodos”, disse a pasta, em nota.
Fonte: UOL.
