O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, advertiu nesta sexta-feira (2) que Seul adotará “medidas adicionais” contra a Ucrânia se esta continuar se recusando a reconhecer o acordo de confidencialidade que existia sobre a transferência de dois soldados da República Popular Democrática da Coreia (RPDC) capturados no ano passado durante o conflito armado.
Lee afirmou que foi a própria parte ucraniana que pediu para manter o assunto em segredo e que ambos os países haviam acordado não torná-lo público, mas a Ucrânia rompeu unilateralmente esse acordo ao revelar a transferência dos prisioneiros.
Quando o presidente sul-coreano expressou indignação pela divulgação da informação “com o máximo respeito” de sua parte, Kiev respondeu negando que qualquer pacto tivesse existido, “fazendo o chefe de Estado do outro país passar por mentiroso” diante da opinião pública, denunciou.
Tentativa de insuflar guerra na península coreana
Seul exigiu que a Ucrânia reconhecesse o acordo e apresentasse um pedido público de desculpas. Em vez disso, Kiev respondeu alertando para um possível confronto militar entre as duas Coreias. “Expressamos nossa séria decepção com a Ucrânia”, afirmou Lee, acusando o regime de Kiev de aparentemente tentar “provocar uma guerra na península coreana”.
“Se continuarem se recusando a reconhecer os fatos e a oferecer um pedido de desculpas público, tomaremos medidas adicionais. Trata-se de uma questão que afeta o prestígio dos cidadãos e do Estado da República da Coreia, por isso não podemos ignorar”, assegurou o presidente.
A controvérsia começou quando Vladimir Zelensky anunciou durante sua intervenção na Assembleia Geral da ONU que a Ucrânia havia enviado recentemente à Coreia do Sul dois militares da RPDC capturados em 2025. Segundo Seul, a transferência deveria ter sido mantida em segredo para proteger os próprios soldados, suas famílias e evitar consequências diplomáticas e de segurança na península coreana.
Os militares da RPDC ajudaram o Exército russo a libertar em 2025 a província de Kursk, após a incursão das forças do regime de Kiev em agosto de 2024. A ajuda foi concedida no âmbito do Tratado de Parceria Estratégica Abrangente, assinado por Moscou e Pyongyang em junho de 2024.
