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Google entra no coro pela desaceleração da IA

por Últimos Acontecimentos
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O Google aderiu neste domingo ao pedido de desaceleração feito por Dario Amodei, completando o apoio das quatro maiores empresas ocidentais de inteligência artificial. Demis Hassabis, cofundador e presidente do conselho da Google DeepMind, disse que os detalhes ainda precisam ser acertados, mas que a direção é a correta diante do momento. Era o único nome do pelotão de frente que havia ficado em silêncio — e o fato de todos estarem agora do mesmo lado do argumento é, em si, razão para examinar o que exatamente está sendo combinado.

O dinheiro anda em direções opostas. A Anthropic prepara a maior abertura de capital da história, avaliada acima de US$ 2 trilhões, e deve iniciar em breve a divulgação a investidores, segundo o Guardian. Sam Altman, por sua vez, disse à revista Fortune que a OpenAI não abrirá capital em 2026 — e deu como motivo justamente a segurança: seria um momento mal aconselhado para ir ao mercado.

Assessor de Trump rebate o pedido de autorização. David Sacks, copresidente do conselho de assessores de ciência e tecnologia da Casa Branca, respondeu que ninguém precisa de permissão de terceiros para desacelerar — e apontou o interesse próprio por trás do gesto: as empresas respondem civilmente se seus produtos viabilizarem um ataque cibernético grave.

Do outro lado do espectro, o pesquisador David Krueger, ex-diretor fundador do instituto britânico de segurança em IA, observou que o plano não reduz o risco a um patamar aceitável — e que Amodei toma o cuidado de não afirmar que reduziria.

O relatório que antecedeu o ensaio. Na quinta-feira, dias antes do texto de Amodei, a própria Anthropic publicou relatório descrevendo como atores na China, na Rússia, no Irã e no Iêmen usaram seus modelos Claude para montar ataques cibernéticos, vigiar dissidentes e projetar mísseis, bombas e drones — além de possíveis tentativas de engenharia de armas biológicas. A empresa diz ter bloqueado ou frustrado boa parte dos casos. Segundo o New York Times, foi esse documento que deu urgência às manifestações no Congresso — reúne beligerantes estrangeiros e alvos americanos, a combinação que costuma mover Washington. Não moveu até aqui.”

No Congresso, projetos não saem do papel. O New York Times documenta a distância entre o alarme e a reação. Mais de 1.300 cientistas da computação assinaram um apelo à desaceleração, em eco deliberado à carta de Einstein a Roosevelt sobre a bomba atômica. Barack Obama pediu reservadamente a líderes democratas um plano claro sobre os riscos. Bernie Sanders defende proibir a superinteligência. Ted Cruz — que acusa os críticos de querer entregar a liderança à China e ao mesmo tempo diz temer o risco — negocia com Amy Klobuchar e John Thune um projeto restrito a ameaças biológicas e nucleares. Nada disso vira lei a dois meses da eleição. O decreto assinado por Trump no início do verão americano criou apenas uma revisão de segurança voluntária de 30 dias, da qual estão fora os modelos de código aberto: exatamente os que a China exporta.

O obstáculo de fundo é de verificação. Diferentemente do controle de armas nucleares, o cumprimento de um acordo de IA seria praticamente impossível de fiscalizar. É uma das razões que o New York Times aponta para a paralisia: a corrida com a China funciona como um dilema do prisioneiro — os dois países estariam melhor cooperando, e nenhum confia que o outro cumpriria. Xi Jinping chega a Washington em menos de duas semanas. Questionado sobre o assunto, Trump disse que os EUA lideram com folga e passou a falar do jantar de Estado que vai oferecer ao líder chinês.

Fora do circuito. O rei Charles recebe nesta semana, na Escócia, executivos das principais empresas de IA para perguntar como a tecnologia pode ser desenvolvida em benefício da humanidade. Estão previstos Jensen Huang, da Nvidia, Hassabis e Paolo Benanti, assessor do papa para ética e tecnologia. Organiza o encontro a Fundação Ditchley, que preparou um rascunho de carta de princípios.

Fonte: UOL.

13 de setembro de 2026.

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