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Guerra com o Irã expõe fragilidade militar dos EUA e acende alerta no Pentágono

por Últimos Acontecimentos
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A escassez de munições estratégicas nos Estados Unidos entrou no centro do debate nacional e passou a influenciar as decisões da Casa Branca no conflito com o Irã.

Em análise publicada pelo think tank Center for Strategic and International Studies (CSIS), pesquisadores afirmam que a guerra é um fator importante, mas está longe de ser a única causa do problema.

O estudo aponta uma miríade de razões logísticas, industriais, institucionais e operacionais que explicam por que o Departamento de Defesa americano não possui hoje a profundidade de estoques considerada necessária. Para o CSIS, compreender a origem dessa fragilidade é essencial para corrigi-la.

Segundo o artigo, a guerra contra o Irã consumiu intensamente dois grupos de armamentos: sistemas de defesa antimísseis e munições de ataque de longo alcance. Entre eles estão sistemas famosos como o Patriot e o Tomahawk.

Vulnerabilidade

A análise indica que os Estados Unidos já utilizaram cerca de metade dos estoques iniciais de Patriot, THAAD e PrSM, enquanto aproximadamente um terço dos demais armamentos foi consumido. Ainda assim, o CSIS avalia que os estoques remanescentes seriam suficientes para qualquer cenário plausível no conflito atual com o Irã.

O maior risco, segundo o estudo, está em guerras futuras, especialmente contra a China, mas também contra a Rússia ou a Coreia do Norte. A Operação Epic Fury agravou um problema que já existia antes do conflito e exigirá a reconstrução dos estoques ao longo de vários anos.

O CSIS ressalta ainda que nem todas as munições estão em falta devido à guerra. Os Estados Unidos ainda dispõem de grandes quantidades de alternativas mais baratas, como as bombas JDAM, mas esses sistemas têm alcance menor e exigem que as aeronaves se aproximem mais do território inimigo, o que aumenta a vulnerabilidade operacional.

Em contrapartida, munições antinavio de longo alcance, fundamentais em um eventual confronto com a China, continuam escassas. Certos tipos de armamentos avançados quase não foram usados contra o Irã, mas seus estoques seriam rapidamente esgotados em uma guerra naval contra uma potência equivalente, pois seus números são constantemente baixos.

Fatores acumulados

A análise do CSIS atribui parte do problema às mudanças políticas ocorridas após o fim da Guerra Fria. Com a dissolução da União Soviética, Washington deixou de se preparar para uma guerra entre grandes potências e passou a focar em conflitos regionais limitados, como os envolvendo o Iraque e a Coreia do Norte.

Essa mudança reduziu drasticamente a compra de munições. O centro afirma que o alerta começou a surgir após a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014 e as ações chinesas mais agressivas no Mar do Sul da China, mas só se tornou urgente após a invasão da Ucrânia em 2022.

Outro fator destacado é o encolhimento da base industrial de defesa. O CSIS lembra que, em 1993, o então secretário adjunto de Defesa, William Perry, incentivou empresas do setor a se fundirem ou diversificarem, processo que reduziu o número de grandes contratantes aeroespaciais e de defesa de 51 para apenas 5.

Além de ser menor, a indústria também foi reorganizada para produzir de forma eficiente em tempos de paz, não para expandir rapidamente a produção em caso de guerra. Quando o Pentágono tentou acelerar a fabricação de munições após 2022, encontrou pouca capacidade ociosa disponível.

O estudo também aponta que as munições competem mal no processo orçamentário do Pentágono. Navios, aviões e veículos blindados têm vida útil de décadas e forte valor simbólico para a dissuasão, enquanto os mísseis permanecem armazenados até serem usados em combate ou expirarem.

As guerras recentes no Oriente Médio contribuíram para reduzir ainda mais os estoques. Sob os governos Biden e Trump, os Estados Unidos consumiram centenas de interceptadores em operações contra os Houthis e em respostas a ataques iranianos contra Israel.

Riscos do futuro

O CSIS considera que as transferências de armas para a Ucrânia tiveram impacto limitado nos estoques relevantes para o conflito com o Irã. A maior parte dos equipamentos enviados destina-se ao combate terrestre, como tanques, blindados, artilharia, munição convencional e armas antitanque.

A principal exceção são os interceptadores Patriot. Cerca de 600 foram enviados à Ucrânia desde o início da guerra, embora parte tenha sido produzida especificamente para esse fim ou fornecida por países europeus, o que apenas parcialmente reduz os estoques americanos.

Portanto, o CSIS conclui que o uso de munições não é, por si só, um problema, já que elas existem para serem empregadas em combate. A questão central é se o risco criado para um conflito futuro compensa os ganhos obtidos na guerra atual.

Os Estados Unidos aceleram agora a produção de armamentos estratégicos, processo iniciado no governo Biden e ampliado pela administração Trump. Mesmo assim, o centro alerta que o desafio imediato não é falta de dinheiro, mas de tempo: novos mísseis levam de dois a quatro anos para serem entregues após a assinatura dos contratos.

Para o CSIS, há uma janela de vulnerabilidade nos próximos anos. A produção deve alcançar a demanda no futuro, mas, até lá, os Estados Unidos continuarão operando com estoques mais apertados do que o necessário para enfrentar simultaneamente crises no Oriente Médio e no Indo-Pacífico.

Fonte: Exame.

“E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;…” Mateus 24:6

04 de agosto de 2026.

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