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Monitorada no Brasil, Febre do Nilo Ocidental se espalha também pela Europa

por Últimos Acontecimentos
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A confirmação, nesta semana, da primeira morte por Febre do Nilo Ocidental (FNO) no Brasil chamou a atenção para uma doença ainda pouco conhecida no país.

A vítima, uma mulher de 77 anos de Santa Catarina, é a segunda paciente da doença registrada na história do estado. O primeiro, um homem de 56 anos, já recebeu alta.

Além deles, há outros dois casos confirmados no estado de São Paulo, e um sob investigação no Piauí, segundo o Ministério da Saúde.

A infecção, que na maioria das vezes transcorre sem consequências graves e costuma ser assintomática, é contraída pela picada de mosquitos infectados pelo vírus. Há casos raros, porém, de pacientes que desenvolvem meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda.

Ainda não há vacina contra o vírus, nem tratamentos específicos, segundo a Organização Mundial para a Saúde (OMS). Os cuidados se limitam à administração dos sintomas e tratamento hospitalar para casos mais graves.

O Ministério da Saúde ainda investiga como e onde exatamente as infecções aconteceram no Brasil.

Vírus também preocupa a Europa
O vírus, que se expandiu neste ano na Europa, também tem alarmado autoridades europeias. Até agora, há casos registrados em 12 países, três a mais que no mesmo período do ano passado: Albânia, Alemanha, Áustria, Espanha, França, Grécia, Holanda, Itália, Kosovo, Macedônia do Norte, Romênia e Sérvia.

A Itália e a Grécia lideram o ranking de casos, com 311 e 157 infecções, segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC).

Em 21 regiões do continente, foi a primeira vez que as autoridades relataram casos da doença, que costuma atingir seu pico entre o fim da primavera e o outono, época de temperaturas amenas favoráveis à propagação de mosquitos.

Até o dia 5 de agosto, a Europa contabilizava 12 mortes pelo vírus.

Na Holanda, que registrou sua primeira infecção desde 2020 por FNO na semana passada, autoridades reportaram mais uma morte nesta quarta-feira (26/08), a primeira no país.

Na Alemanha, o patógeno, que chegou à Europa por meio de aves migratórias vindas dos trópicos, foi identificado pela primeira vez em 2018 em aves e cavalos. Em 2024, já havia infectado animais isoladamente em quase todos os estados alemães.

Desde 2019, o vírus vem sendo detectado repetidamente em seres humanos, principalmente no leste da Alemanha.

O que é a Febre do Nilo Ocidental?

Na maioria dos casos, as pessoas infectadas pelo vírus do Nilo Ocidental não percebem nada. Cerca de uma em cada cinco pessoas desenvolve, no máximo 14 dias após a infecção, sintomas semelhantes aos da gripe, com febre, calafrios, dor de cabeça e dores no corpo. Os sintomas geralmente desaparecem depois de três a seis dias.

Em um de cada cem casos, porém, o vírus ataca o sistema nervoso central — um desenvolvimento perigoso e que pode causar sequelas permanentes. Entre 5% e 10% desses chamados casos neuroinvasivos (entre 5 e 10 de cada mil infectados) terminam em morte.

Como o vírus é transmitido?
O vírus da FNO é transmitido pela picada de mosquitos infectados, principalmente o pernilongo comum (Culex pipiens), nativo das regiões mais ao norte do planeta.

Apenas os mosquitos fêmeas picam. Elas precisam do sangue de suas vítimas para produzir ovos.

O vírus da FNO vai parar nos mosquitos geralmente depois de eles picarem algumas espécies de aves silvestres infectadas. É assim que a doença é transmitida de uma ave para a outra.

Enquanto algumas aves morrem em decorrência da infecção, outras carregam o vírus sem apresentar sintomas.

Os mosquitos também podem transmitir o vírus para mamíferos, sobretudo cavalos e seres humanos. Mas ele não consegue se multiplicar bem nesses dois hospedeiros. Por isso, ambos não servem como fonte do vírus para os mosquitos e não são contagiosos.

Por que as doenças transmitidas por mosquitos estão se espalhando pela Europa?
A bióloga e especialista em arboviroses Sandra Junglen, do Instituto para Virologia do Hospital Charité em Berlim, na Alemanha, atribui o fenômeno às mudanças climáticas: temperaturas mais altas favorecem a propagação de mosquitos e potencializam, portanto, a transmissão de doenças.

“Com isso, o período de atividade dos mosquitos se prolonga: eles eclodem mais cedo, picam com mais frequência, têm um ciclo de geração mais curto e colocam mais ovos”, explica a pesquisadora.

Além disso, todas as espécies de mosquitos precisam de água para depositar seus ovos e para que as larvas se desenvolvam. Calor e um pouco de chuva bastam para que as populações de mosquitos se multipliquem.

Os vírus também adoram temperaturas elevadas: “Em temperaturas mais altas, o vírus consegue se multiplicar melhor dentro do mosquito e chegar às glândulas salivares”, diz Junglen. A partir daí, basta uma picada para infectar o próximo hospedeiro.

Por causa do aquecimento global, a dengue, outra doença transmitida pela picada de mosquitos, já deixou de ser um problema só de países tropicais.

Em países como França, Espanha e Itália, a dengue passou a circular localmente graças ao mosquito-tigre asiático (Aedes albopictus), originário da região Ásia-Pacífico, que conseguiu se estabelecer com sucesso por ali e em outras 13 nações europeias.

Isso significa que a doença já não é mais introduzida apenas por viajantes infectados que voltam do exterior, mas já circula e é transmitida dentro do território europeu.

“É apenas uma questão de tempo até que tenhamos essa situação também na Alemanha”, alerta Junglen.

Doze anos atrás, segundo o ECDC, o Aedes albopictus — que também pode transmitir o vírus da chikungunya — estava presente em oito países europeus.

Mais mosquitos nem sempre significam mais vírus
Não são apenas as temperaturas crescentes no Hemisfério Norte que favorecem os mosquitos, tanto as espécies nativas quanto as invasoras. A perda de biodiversidade, que em ecossistemas saudáveis garante estabilidade, também contribui para isso.

Junglen observa esse fenômeno em Berlim. A bióloga e sua equipe estudam a densidade de mosquitos e do vírus da FNO em diferentes áreas da cidade, desde regiões altamente urbanizadas até cemitérios e um parque natural.

A conclusão: os cemitérios concentram especialmente muitos mosquitos e vírus. Há vegetação, água e, por isso, também alguns animais que podem servir de hospedeiros para os mosquitos.

Segundo Junglen, a densidade de mosquitos é ainda maior no parque natural restaurado. No entanto, os pesquisadores quase não encontram o vírus do Nilo Ocidental ali. Isso tem a ver com a biodiversidade do local, explica ela.

“Uma biodiversidade elevada reduz a ocorrência de patógenos. Todo patógeno precisa de um hospedeiro, e quanto mais diversificado for um ecossistema, menor será a densidade de hospedeiros específicos e, consequentemente, a carga viral”, pontua.

Como se proteger da Febre do Nilo Ocidental?
Como não existe vacina nem tratamento específico para a infecção pelo vírus do Nilo Ocidental, a melhor proteção é evitar as picadas.

Camisas de manga comprida e calças dificultam a ação dos mosquitos, assim como mosquiteiros e telas nas janelas.

Quem tem jardim também deve evitar criar locais propícios à reprodução dos mosquitos. Eles gostam de água acumulada em vasos, recipientes e tonéis.A regra para o jardim é a mesma: quanto maior a biodiversidade, melhor. Morcegos, sapos e aranhas adoram se alimentar de mosquitos.

Fonte: DW.

“…e pestes…” Mateus 24:7

26 de agosto de 2026.

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