Desta vez, o alerta foi lançado simultaneamente por três agências da ONU, algo pouco comum. De fato, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alertaram mais uma vez, com veemência, que a crise alimentar no Sudão do Sul está atingindo níveis sem precedentes. “7,8 milhões de pessoas — 56% da população — estão mergulhadas em altos níveis de insegurança alimentar aguda, um dos mais altos do mundo.
Previsões sombrias
Uma situação nutricional dramática que não poupa nem mesmo as crianças. “Atualmente, 2,2 milhões de crianças entre 6 meses e 5 anos sofrem de desnutrição aguda, um aumento de 100 mil casos em comparação com seis meses atrás.” E as previsões não são nada otimistas: estima-se que, até julho deste ano, pelo menos 700 mil crianças serão afetadas por desnutrição aguda grave, a forma mais letal. “Da mesma forma – afirmam as três agências da ONU – 1,2 milhão de mulheres grávidas e lactantes são afetadas por desnutrição aguda, o que coloca mães e recém-nascidos em maior risco.”
Não é somente a guerra
As causas dessa tragédia não se encontram apenas na escalada da violência ligada ao conflito que afeta grande parte da região e nos consequentes deslocamentos em massa, mas também no declínio econômico, nos choques climáticos, Inundações e produção agrícola insuficiente para a capacidade do país. Por essa razão, a FAO, o PMA e o UNICEF apelam à comunidade internacional e aos governos para que ajam imediatamente: “Lançam um apelo ao financiamento contínuo para assistência alimentar, programas de nutrição, água potável e saneamento. É essencial para evitar o agravamento da crise.”
No Sudão, crianças mortas e mutiladas
No detalhado relatório sobre a guerra em Darfur, província do Sudão, divulgado na terça-feira, 28, o UNICEF informou que, desde o início do conflito, há vinte anos, mais de 4.300 crianças foram mortas e mutiladas. E a tendência certamente não se reverteu. Basta dizer que, como revelam os dados, de abril de 2024 até hoje, em El Fasher — a capital do Darfur do Norte, onde os grupos beligerantes mais se confrontaram — o UNICEF confirmou “a morte e mutilação de 1.300 crianças e a grave violação dos direitos fundamentais de outras 1.500”.
