A Rússia ameaçou recorrer a armas nucleares caso países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) tentem isolar Kaliningrado, enclave russo entre a Polônia e a Lituânia, segundo documento enviado por Moscou e visto pela Reuters.
O que aconteceu
O documento acusa a Otan de seguir um caminho “perigoso e imprudente”, com risco de conflito armado direto. Moscou afirma que poderia atacar centros de decisão em países da aliança desde o início de uma escalada.
A nota diplomática diz que a Rússia usaria todas as forças e recursos disponíveis para defender Kaliningrado. “A Rússia estará pronta para usar todo o arsenal de forças e capacidades à sua disposição, incluindo armas nucleares”, afirma o texto.
A Otan respondeu que suas atividades e exercícios não representam ameaça ao território russo. A aliança pediu que Moscou encerre a invasão em larga escala da Ucrânia e abandone o que chamou de retórica nuclear irresponsável.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, disse que a aliança não considera iminente o uso de armas nucleares contra os países bálticos. “Putin sabe que nunca poderá vencer a Otan, então não levo isso tão a sério”, afirmou em conferência de defesa em Bruxelas.
Kaliningrado fica entre países da Otan
Kaliningrado é um território russo banhado pelo mar Báltico e separado do restante da Rússia. A região, fortemente militarizada, faz fronteira com a Polônia e a Lituânia, dois integrantes da Otan.
Embaixadas russas em ao menos três países europeus também acusaram a Otan de elevar a tensão com exercícios militares e cenários ligados a Kaliningrado. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, classificou as mensagens como lembretes diplomáticos a “cabeças quentes na Europa”.
Rússia cita fábricas de armas como possíveis alvos
A porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, afirmou que fábricas europeias que produzem armas para a Ucrânia são alvos militares legítimos. Ela citou o apoio militar de países europeus a Kiev ao responder sobre a possível instalação, na Polônia, de uma fábrica de mísseis interceptadores Patriot para a Ucrânia.
Nikolai Sokov, analista nuclear e ex-diplomata russo, disse que Moscou pode interpretar um bloqueio no mar Báltico como guerra aberta. “Vejo um risco de erro de cálculo mútuo”, afirmou o especialista baseado em Viena.
Fonte: UOL.
