Nos dias de hoje, crescem os riscos de um confronto militar direto entre potências nucleares, com consequências potencialmente catastróficas, afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov.
No entanto, essa ameaça não afasta os países da OTAN de suas tentativas de aumentar as apostas no confronto com Moscou, detalhou o diplomata russo ao discursar no I Fórum Internacional de Segurança.
“Aumenta o risco de um confronto frontal entre a OTAN e nosso país, o que significaria um conflito armado direto entre potências nucleares”, alertou o diplomata russo.
Sergei Ryabkov relatou também que, há algumas semanas, em Casablanca, no Marrocos, os especialistas das cinco potências nucleares realizaram uma reunião sob coordenação britânica.
Além disso, o vice-ministro acrescentou que a OTAN está aumentando ativamente seu potencial nuclear conjunto, lembrando que os países-membros há muito proclamaram oficialmente o bloco como uma aliança nuclear.
Ryabkov observou, no entanto, que Moscou gostaria de aumentar o ritmo das consultas bilaterais com Washington para eliminar questões que geram atritos nas relações entre as partes. Embora ainda não haja entendimento mútuo sobre questões-chave, outros temas menores ainda são resolvidos de forma lenta e persistente, avaliou o diplomata russo.
“É claro que não há nenhum progresso nas principais questões, o retorno de nossas propriedades diplomáticas, ilegalmente apreendidas, e a retomada do tráfego aéreo direto. Nessas áreas, não há sinais de que Washington esteja se movendo em direção às nossas demandas”, disse Ryabkov a repórteres.
Segundo o vice-ministro, agora não há pré-requisitos para o diálogo sobre estabilidade estratégica com os EUA, pois para isso são necessárias mudanças visíveis para melhor na política de Washington em relação a Moscou.
O diplomata russo chamou de “falso dilema de disseminação” os esquemas de guarda-chuva desestabilizadores do Ocidente e a escolha de aliados não nucleares dos EUA em favor da aquisição de armas nucleares.
Ele observou que, além dessas duas opções, há também uma terceira possibilidade, envolvendo a construção de uma nova arquitetura de segurança internacional em bases genuinamente coletivas e mutuamente benéficas.
“Mas [a terceira opção] é deliberada e cinicamente ignorada por nossos adversários”, disse Ryabkov.
Ao comentar a conferência de revisão dedicada à análise do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), realizada em Nova York em 27 de abril, Ryabkov afirmou que a falta de um documento final dessa conferência não põe em dúvida a relevância do Tratado, que foi e continua sendo a pedra angular do sistema de segurança internacional.
“Os países do Ocidente coletivo, focados em defender ferozmente sua política nuclear de críticas fundamentadas, mais uma vez nesta conferência no âmbito do TNP, ficaram surdos a qualquer argumento desse tipo“, destacou Ryabkov.
Como observou o vice-chefe do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, outro problema significativo que surgiu durante a conferência de revisão foi que o trabalho sobre o relatório final colidiu com a situação em torno do Irã, à qual os participantes da conferência não conseguiram chegar a um acordo para uma avaliação objetiva.
