Um mês após o início do surto de ebola na República Democrática do Congo, a disseminação do vírus está superando os esforços de resposta das autoridades sanitárias.
O alerta foi feito pela coordenadora de emergência de Médicos Sem Fronteiras (MSF) no país africano, Kate White, em nota divulgada nesta segunda-feira (15).
“Ninguém conhece a real dimensão da epidemia nem sabe exatamente onde a doença está se espalhando”, afirmou White. “O que sabemos é que a maioria dos centros de tratamento na província de Ituri está sobrecarregada; muitos de nossos pacientes chegam em estágio avançado da doença, e a maioria nunca havia sido identificada ou monitorada como contato antes de buscar assistência”, acrescentou.
O ebola está se espalhando nas províncias orientais de Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul, sendo que a primeira registra quase 95% dos casos. As autoridades sanitárias congolesas reportaram oficialmente mais de 650 contágios confirmados e mais de 130 mortes. No entanto a MSF alerta que esses dados provavelmente representam apenas uma parte da situação real, diante de graves lacunas no monitoramento, diagnóstico e rastreamento de contatos.
“Muitas comunidades, especialmente aquelas afetadas por uma situação de insegurança persistente, ainda têm acesso limitado a kits [de diagnóstico], enquanto os centros de tratamento continuam a sofrer atrasos significativos no recebimento dos resultados laboratoriais. Sem testes mais rápidos e facilmente disponíveis, será difícil identificar os casos com antecedência suficiente para conter a epidemia”, explicou White.
O vírus Ebola causa uma febre hemorrágica altamente contagiosa e letal. Os sintomas principais incluem fraqueza, dores musculares, vômitos, diarreias e sangramentos, e a doença é transmitida sobretudo por meio do contato com fluidos corporais.
Fonte: ANSA.
