O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou na madrugada de hoje, após anúncio de acordo entre EUA e Irã, que o país não vai retirar suas tropas do sul do Líbano, que é alvo de ataques nesta manhã.
O que aconteceu
O acordo entre os dois países supostamente prevê o fim dos combates contra o Hezbollah, mas Israel rejeita a saída da região. O presidente do Líbano, Joseph Aoun, disse esperar que acordo se transforme em medidas práticas.
Um ataque de drone israelense atingiu um carro na cidade de Kfar Tebnit, no sul do Líbano, na manhã de hoje, e deixou feridos. Disparos de artilharia israelense também atingiram a mesma região. Os ataques ocorreram em Kfar Tebnit e na cidade vizinha de Nabatieh al-Fawqa, segundo a agência estatal libanesa.
As IDF (Forças de Defesa de Israel em tradução livre) não comentaram o ataque. Os militares de Israel não se manifestaram imediatamente sobre os bombardeios ocorridos nesta manhã.
O presidente dos EUA, Donald Trump, chamou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de “cara muito difícil” ao comentar o acordo. Em entrevista ontem ao “The New York Times”, ele afirmou que Netanyahu realizou ataques que quase comprometeram o entendimento final com Teerã e que o entendimento foi fechado apesar das objeções de Israel.
Irã diz que Líbano é parte integrante de acordo para pôr fim à guerra com os EUA. Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano informou hoje que rascunho do memorando menciona o Líbano por três vezes, ao exigir o fim da guerra em todas as frentes, bem como o respeito à sua soberania e integridade territorial.
Forças israelenses seguirão no Líbano, diz ministro
Katz declarou que as forças israelenses vão continuar em zonas de segurança por tempo indeterminado. “Netanyahu e eu lideramos uma política clara de que as forças de Israel permanecerão no Líbano, Síria e Gaza”, disse o ministro.
Esta é a primeira manifestação oficial de um líder israelense sobre o cessar-fogo. O anúncio do acordo ocorreu na noite de domingo.
O plano de Israel prevê a destruição de toda a infraestrutura militar nessas áreas. O ministro afirmou que os moradores locais vão desocupar as zonas e que as casas usadas como postos de ataque serão destruídas.
O governo de Israel se opõe à desocupação mesmo sob pressão internacional. Katz avalia que manter o controle dessas áreas está entre as maiores conquistas militares do país na guerra.
O recado sobre a permanência das tropas já foi passado ao governo norte-americano, conforme o ministro. Netanyahu conversou com Trump, e Katz transmitiu a mesma posição ao secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth.
Katz também fez um alerta direto ao governo iraniano. “Se o Irã atacar Israel por causa dos acontecimentos no Líbano, nós o atacaremos com toda a nossa força”, declarou o ministro.
Israel não é ‘republicana de bananas’, diz ministro
Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional de Israel, fez duras críticas ao acordo no X, antigo Twitter. Para ele, “o acordo de Trump não nos obriga. Israel não está subordinado aos Estados Unidos e somos um país independente e soberano”.
Ben-Gvir afirmou que a “obrigação é para com os cidadãos de Israel, para com os soldados das IDF e para com o povo judeu”. Ele ainda citou os judeus perseguidos e assassinados ao longo de milhares de anos de exílio.
“Todas as vezes que cedemos à pressão internacional em detrimento da segurança de Israel, pagamos um preço em sangue com juros”. Isso foi verdade nos Acordos de Oslo, isso foi verdade no acordo do Líbano em 2006 e isso foi verdade durante todo o período de contenção em Gaza, que explodiu em nossa cara”, disse Itamar Ben-Gvir, em referência aos ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023.
Oposição de Netanyahu criticou o acordo, mas também a atuação do premiê. Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior de Israel e o principal opositor nas próximas eleições, disse que a trégua se forma “longe do interesse israelense”.
À sensação de perda se soma o fato revoltante de que o primeiro-ministro se recusa a olhar nos olhos do público e responder de forma honesta e verdadeira a perguntas incisivas. Desta vez também, os cidadãos de Israel descobrem o acordo por meio de relatos de líderes estrangeiros.
O ministro da Segurança Nacional afirmou que haverá um ataque israelense a Beirute caso seja lançado qualquer drone ou míssil do Líbano em direção a Israel. “Esse era o equilíbrio de dissuasão há apenas alguns meses, e não podemos abrir mão dele de forma alguma.”
Fonte: UOL.
