*Nome alterado por segurança.
Conteúdo sensível: Violência extrema; abuso sexual.
Um pastor foi atingido em um ataque em sua igreja. O local, que deveria ser um espaço de refúgio, tornou-se alvo indireto da crescente violência no país.
O incidente aconteceu em meio à escalada de ataques com drones na guerra no Sudão, uma realidade que tem atingido cada vez mais áreas civis, incluindo mercados, hospitais e igrejas.
Segundo líderes cristãos locais, o conflito não apenas continua, como se expande, colocando comunidades inteiras em risco constante.
Guerra no Sudão: uma das maiores crises humanitárias esquecidas
A guerra no Sudão é considerada uma das crises humanitárias mais graves da atualidade e, paradoxalmente, uma das mais negligenciadas.

Nos primeiros meses de 2026, mais de mil civis foram mortos em ataques com drones, segundo relatos do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos. O uso desse tipo de armamento marca uma nova fase no conflito e amplia o alcance da violência.
Apesar disso, muitas famílias deslocadas estão retornando a regiões perigosas. Sem condições de sobrevivência fora de suas casas, elas escolhem voltar a viver em meio à guerra.
Por que igrejas e cristãos estão entre os mais afetados pela guerra no Sudão?
Cristãos no Sudão já vivem em situação de vulnerabilidade por serem minoria no país. Com a guerra, essa realidade se intensificou.
Relatos de campo indicam que forças armadas frequentemente posicionam equipamentos próximos a áreas civis. Quando ataques acontecem, igrejas, hospitais e mercados acabam sendo atingidos.
“Uma igreja em Kadugli e o pastor local foram atingidos por drones em abril. Isso também aconteceu no estado do Nilo Branco. Agora todo o Sul do Sudão está sob guerra. Vemos drones e mísseis todos os dias.”
Ebrahiem Al-Sadig*, refugiado e líder de uma igreja no Sudão
O caso do pastor atacado em sua igreja é um reflexo dessa dinâmica. A expansão do conflito para diversas regiões significa que a presença da igreja está cada vez mais inserida em zonas de conflito ativo.
Como a guerra afeta mulheres e meninas no Sudão?
A guerra no Sudão tem impactos ainda mais severos sobre mulheres e meninas. Com muitos homens mortos ou recrutados, elas frequentemente ficam sozinhas, responsáveis por suas famílias e expostas a múltiplos riscos.

“Nem na capital, Cartum, o deslocamento de mulheres e meninas é seguro. Você nunca sabe o que pode acontecer. Muitos relatam que até nos postos de controle há assédio contra as meninas.”
Ebrahiem Al-Sadig
Líderes locais relatam:
- Perigo extremo na circulação em ruas e estradas.
- Assédio constante em postos de controle.
- Mulheres refugiadas exploradas fora do país.
- Casos de abuso raramente denunciados.
Além disso, o medo limita a mobilidade. Muitas mulheres deixam de trabalhar e elas correspondem à maioria da população, o que agrava ainda mais a situação econômica das famílias.
Violência sexual e prostituição de meninas sudanesas
A violência sexual se tornou quase uma certeza para meninas no Sudão. Para muitos militantes, elas são vistas como “prêmios de guerra”.
“Um militante islâmico foi condenado à morte depois que violentou sexualmente uma menina. Ela tinha apenas 13 ou 14 anos. Mas isso aconteceu porque a comunidade se posicionou. Em muitos lugares, não há quem defenda as meninas.”
Ebrahiem Al-Sadig
Mesmo as que fugiram da guerra e se tornaram refugiadas em outros países são vítimas de abuso e exploração.
“Mesmo fora do Sudão, há muitos relatos de exploração de mulheres sudanesas. Elas não conseguem sobreviver e precisam sustentar suas famílias. No Egito, em muitos lugares, muitas meninas recorrem à prostituição. Existem grupos nas redes sociais onde essas meninas são vendidas”
Ebrahiem Al-Sadig
Como a igreja tem respondido à crise?
Apesar da pressão intensa, a igreja no Sudão continua firme.
Líderes cristãos seguem:
- acolhendo deslocados;
- compartilhando recursos escassos;
- oferecendo apoio espiritual;
- mantendo viva a esperança em Cristo.
Como você pode apoiar os cristãos no Sudão?
Em meio à dor, a igreja continua sendo luz. E, conectada a ela, a igreja brasileira pode fazer parte dessa resposta por meio da oração, do engajamento e do amor prático.
A guerra no Sudão não é apenas uma crise esquecida. É uma realidade urgente que exige atenção e ação.
Veja três formas de ajudar a igreja em meio à guerra no Sudão.
- Assine a petição pelo fim da violência contra cristãos na África Subsaariana.
- Contribua com ajuda emergencial e provisão para viúvas na África Subsaariana.
- Incentive sua igreja e amigos a assinarem a petição e a intercederem pelos cristãos vítimas de violência no Sudão e na África Subsaariana.
Saiba mais na página da campanha Desperta África: pelo fim da violência e início da cura da Igreja Perseguida na África Subsaariana.

