O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, descreveu o que ele acredita ser a série de eventos que poderiam levar Vladimir Putin a optar pela solução nuclear.
Para Fidan, tudo depende de o conflito se transformar em uma guerra de desgaste que atinja toda a Rússia, além da linha de frente.
“Quando a guerra de desgaste na frente de batalha se transforma em desgaste na retaguarda, a questão deixa de ser se você perde a guerra ou não, e passa a ser se você continua a existir como nação”, observou Fidan.
Fidan, em entrevista à Agência Anadolu, ressaltou que Moscou poderia considerar usar sua última opção disponível se pressionada o suficiente.
“Durante minha visita à Rússia, pareceu-me que essa questão poderia ser levantada, pois havia rumores de que a população exigia algo nesse sentido”, comentou o ministro das Relações Exteriores da Turquia durante a entrevista.
Em outras palavras, existe pressão pública por parte de alguns setores da população russa para que o Kremlin utilize seu arsenal nuclear.
Fidan admitiu ter abordado o assunto com outros países: “Conversamos sobre isso com nossos parceiros ocidentais, e eles também sabem disso. Esta é uma situação perigosa.”
“Tudo o que as pessoas dizem que não vai acontecer, acaba acontecendo”, alertou o ministro das Relações Exteriores da Turquia.
Fidan também fez um apelo à comunidade internacional para que reduzisse a escalada do conflito, argumentando que as disputas militares tendem a se expandir em escopo e objetivos.
A RBC-Ucrânia comenta que o governo turco pediu a Moscou e Kiev que cessem os ataques no Mar Negro.
Ancara exigiu a criação de um mecanismo para declarar uma moratória, alegando que as embarcações comerciais, inclusive as de bandeira turca, estão em risco.
A Reuters destaca que isso ocorreu depois que drones ucranianos atingiram um navio comercial turco no porto russo de Novorossiysk.
Kiev havia concordado anteriormente em não atacar petroleiros não russos ou estruturas no Mar Negro relacionadas às exportações de petróleo do Cazaquistão.
De um modo geral, Ancara tem tentado atuar como mediadora entre o governo russo e as potências ocidentais, bem como entre Moscou e Kiev.
No entanto, assim como outras tentativas de chegar a um acordo entre o presidente russo Vladimir Putin e o líder ucraniano Volodymyr Zelensky, esta também foi infrutífera.
Segundo a agência Anadolu, o ministro das Relações Exteriores da Turquia argumenta que as coisas seriam mais fáceis se Moscou e Kiev fizessem concessões e chegassem a um acordo.
“A guerra continua com uma violência crescente até criar sua própria área de concessões. Infelizmente, é isso que estamos testemunhando”, alertou Fidan.
