*Nomes alterados por segurança.
No Sul da Etiópia, em uma região de difícil acesso, o evangelho tem alcançado comunidades que, até pouco tempo, não tinham contato com o cristianismo.
Sem estradas pavimentadas, hotéis e infraestrutura, a área onde vive o povo hamar é marcada pelo isolamento. O grupo étnico vive em constante temor de seus deuses e ancestrais.
Onde tradições ancestrais fazem parte do cotidiano, histórias como a de Mama Alemu* mostram como a fé cristã tem se tornado conhecida entre os hamar, mesmo em meio a desafios culturais e oposição.
O primeiro encontro com o povo hamar
Parceiros locais da Portas Abertas visitaram, pela primeira vez, a região onde vivem os hamar. A área é isolada, a 700 quilômetros da capital, Adis Abeba, e, até então, não havia registros significativos da presença de cristãos.
Por isso, eles não tinham grandes expectativas, mas, para surpresa da equipe, já havia pequenas comunidades cristãs no local.
“Encontramos uma igreja. Na verdade, várias. Havia cristãos lá!”
— Ayana*, parceiro local da Portas Abertas
Outra surpresa é a maturidade da fé dos cristãos entre o povo hamar. Preocupados, Ayana e sua equipe reuniram os cristãos locais para alertá-los sobre a perseguição contra os cristãos. Mas receberam a seguinte resposta dos seguidores de Jesus, que já estão familiarizados com essa realidade:
“Claro que há perseguição aqui. As pessoas são açoitadas por acreditarem em Jesus.”
Qual é o contexto cultural do povo hamar?
A história do evangelho entre o povo hamar está ligada ao testemunho de Mama Alemu. Ele cresceu nesse contexto e descreve algumas práticas comuns.

Por exemplo, quando jovens hamar atingem a idade de se casar, eles pulam sobre as costas de vacas em um ritual de iniciação. Já para as meninas, a maturidade é marcada por agressões.
“As mulheres são espancadas e chicoteadas tão severamente que algumas chegam a sofrer danos nos rins.”
— Mama Alemu
Outra tradição é o mingi. A prática foi oficialmente proibida na Etiópia há muitas décadas, mas ainda é aplicada em regiões remotas e entre alguns grupos étnicos. Ela consiste no assassinato de crianças “com defeitos”, o que inclui gêmeos, bebês que nascem com fenda palatina ou cujos dentes superiores nascem antes dos inferiores.
“Quando uma criança nasce ‘com defeito’ ou se desenvolve dessa maneira, é morta. Mesmo que a mãe ou o pai chorem, eles pegam a criança, jogam-na em um buraco e a sufocam com areia.”
— Mama Alemu
Mama Alemu vê o poder de Jesus curar sua mãe
Quando a mãe de Mama Alemu ficou gravemente doente, eles recorreram a uma feiticeira, como é costume entre os hamar.
“Examinando as entranhas de uma cabra, a feiticeira pode profetizar eventos futuros. A partir delas, também pode determinar como apaziguar os deuses e ancestrais para evitar a morte de uma pessoa com sacrifícios, por exemplo.”
— Mama Alemu
Mas não importava quantas vezes visitassem a bruxa, nenhum ritual, nenhuma invocação de espíritos e nenhum sacrifício de animais conseguia curar sua mãe.
“Depois de seis anos, um cristão visitou nossa aldeia. Ele olhou para minha mãe e disse: ‘Se ela receber Jesus em sua vida, será curada.’”
— Mama Alemu
Seu pai inicialmente se opôs, mas Mama Alemu a levou secretamente ao cristão e, por meio da oração, ela foi completamente curada.
O crescimento das sementes do evangelho
A princípio, nada mudou na vida de Mama Alemu após a conversão de sua mãe. Mas, um ano depois, ele começou a ouvir uma voz em sua cabeça que lhe ordenava matar seu irmão. Nada conseguia silenciar a voz, e ele mergulhou em profundo desespero.
“Então me lembrei da cura da minha mãe e decidi entregar minha vida a Jesus também.”
— Mama Alemu
No entanto, ele estava ciente das consequências que isso teria, então falou seriamente com seu pai:
“Ou eu me mato, ou mato meu irmão, ou me torno cristão.”

Porém, nem mesmo a perspectiva de perder um dos filhos conseguiu dissuadir o pai do medo de irar os espíritos e ancestrais.
Ele obrigou Mama Alemu a deixar a aldeia; então, ele buscou refúgio com cristãos na cidade.
Liberto para anunciar o amor de Jesus ao povo hamar
Nos primeiros dias na igreja, Mama Alemu não conseguia dormir.
“Eu ficava ouvindo uma voz sussurrando e via uma serpente vindo em minha direção.”
— Mama Alemu
Os cristãos locais oraram sem parar por ele até que, no quarto dia, Mama Alemu foi liberto. Depois disso, ele começou a estudar a Bíblia, entendeu a missão de Jesus e, após quatro meses, decidiu retornar à sua aldeia para levar a luz de Jesus.
Spoiler: ele conseguiu!
“Entendi que, após a minha própria salvação, eu também devo levar as boas-novas de Jesus aos outros.”
— Mama Alemu.
A igreja cresce e a perseguição também
“À medida que mais e mais pessoas se convertiam ao cristianismo, os aldeões se voltaram contra mim.
Eles diziam: ‘Este homem está destruindo nossa cultura. Seu pai gosta de ler as entranhas, mas você está destruindo o ritual dele.
Se você não parar de falar aos outros sobre Jesus, enfrentará as consequências’”, lembra Mama Alemu.
Mas ele não se intimidou.

“Não paramos de nos reunir, adorar a Deus juntos e compartilhar a mensagem.”
No entanto, isso não passou despercebido. O rei dos hamar e a feiticeira conspiraram contra a nova congregação e uma multidão enfurecida invadiu a igreja.
“Eles começaram a desmontar as paredes de madeira da igreja, enquanto nós ainda estávamos lá dentro. Eles me levaram para fora e apontaram para mim: ‘Ele é o líder deles’. Ouvi alguém carregar seu rifle e vi seus facões, pedras e paus.”
— Mama Alemu
Eles começaram a espancar Mama Alemu violentamente. “Vamos amaldiçoá-lo e ele morrerá ainda este mês!”, gritaram.
Mas nem isso pôde parar Mama Alemu. Ele escapou, alcançou outros jovens na Etiópia e até mesmo o rei dos hamar, que antes o perseguia. O cristão continua a testemunhar o poder transformador de Jesus no Chifre da África.
Faça parte do que Deus está fazendo no Chifre da África
Histórias como a de Mama Alemu mostram como o evangelho continua alcançando pessoas, mesmo em regiões isoladas e com poucos recursos.
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