Um cristão morreu na prisão enquanto aguardava julgamento por uma acusação de blasfêmia que familiares e defensores consideravam infundada no Paquistão. Amir Peter havia sido acusado de blasfêmia após uma denúncia apresentada por comerciantes locais em julho de 2025.
Enquanto aguardava o andamento do processo, permaneceu detido. Segundo contatos locais da Portas Abertas, ele sofria de diabetes e morreu após complicações de saúde durante o período sob custódia.
O caso chama atenção para as consequências enfrentadas por pessoas acusadas de blasfêmia no país, onde os processos podem se estender por longos períodos antes de uma decisão judicial.
Dois cristãos absolvidos por falta de provas de blasfêmia
Enquanto Amir Peter não teve a oportunidade de ser julgado, outros dois cristãos acusados de blasfêmia foram absolvidos recentemente por tribunais em Lahore.
Dennis Albert havia sido preso em abril de 2024 após ser acusado de profanar o Alcorão ao supostamente pisar em páginas do livro sagrado ao sair de seu riquixá, veículo típico no Paquistão.
No entanto, o tribunal concluiu que as evidências apresentadas eram insuficientes para sustentar a acusação. Segundo a decisão judicial, havia inconsistências nos depoimentos das testemunhas, ausência de provas relevantes e evidências digitais sem verificação adequada.
O juiz também citou precedentes da Suprema Corte do Paquistão, incluindo o caso de Asia Bibi, ressaltando que qualquer dúvida razoável deve favorecer o acusado.
Outro caso semelhante envolveu Nadeem Masih, cristão de 51 anos com deficiência visual. Ele foi acusado de insultar o profeta Maomé após um desentendimento com outras pessoas em um parque onde trabalhava oferecendo serviços de pesagem.
Durante o processo, a defesa argumentou que a denúncia havia sido motivada por conflitos pessoais. Após analisar as evidências, o tribunal decidiu absolvê-lo.
Acusações de blasfêmia geram preocupação
As leis de blasfêmia continuam entre os assuntos mais sensíveis do Paquistão. Mesmo quando os acusados são inocentados, muitos enfrentam ameaças, deslocamento forçado e dificuldades para reconstruir a vida.
Em alguns casos, a simples acusação é suficiente para provocar hostilidade contra famílias e comunidades inteiras.
“Ser acusado de blasfêmia é algo extremamente sério no Paquistão e tem consequências que mudam a vida da pessoa envolvida e de sua família. Pedimos que as investigações sejam conduzidas de forma rigorosa por agentes experientes e que todas as evidências sejam cuidadosamente examinadas”, afirma um porta-voz da Portas Abertas Internacional.
