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Agência de fiscalização nuclear pede para ONU lidar com “sabotagem” do Irã

por Últimos Acontecimentos
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A agência de fiscalização nuclear da ONU (Organização das Nações Unidas) está solicitando que o órgão responsabilize o Irã por não cumprir as salvaguardas destinadas a impedir o desenvolvimento de armas nucleares, anunciaram autoridades diplomáticas na última quarta-feira (9).

Este é o capítulo mais recente de um esforço de mais de uma década para monitorar o Irã, período em que o país passou da conformidade para a sabotagem das inspeções, incluindo a desativação de câmeras de monitoramento e a realização de “revistas físicas excessivamente invasivas” em inspetores, segundo vários ex-funcionários, diplomatas e mais de uma década de documentos da ONU analisados ​​pela CNN.

O acordo nuclear de 2015 entre o Irã, os Estados Unidos e outros países estabeleceu o regime de inspeção nuclear mais invasivo do mundo, supervisionado pela AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). Durante anos, o programa nuclear de Teerã cooperou com os inspetores da agência.

No entanto, nos anos seguintes à retirada do presidente Donald Trump do acordo, o Irã desafiou gradual e sistematicamente as salvaguardas nucleares, conforme relatórios da época da AIEA; posteriormente, a agência concluiu que o Irã não havia declarado locais relacionados a materiais nucleares.

“Os iranianos estavam, na verdade, ganhando tempo e dificultando consistentemente o acesso da AIEA, apresentando informações que eram absurdamente falsas ou implausíveis”, disse um ex-diplomata dos EUA a quem a CNN concedeu anonimato para discutir livremente o assunto delicado.

A agência de fiscalização nuclear da ONU por vezes minimizou problemas por razões políticas, incluindo esforços para evitar confrontos com o Irã, disseram à CNN um ex-funcionário da agência e um ex-diplomata dos EUA.

Essa saga demonstra as limitações do monitoramento e da verificação diante do descumprimento deliberado, levando especialistas de alto nível a argumentar que nem mesmo uma solução diplomática completa para a guerra — incluindo um novo acordo nuclear — seria suficiente para impedir que o Irã obtenha uma bomba nuclear.

“Acredito que, por razões tanto técnicas quanto políticas… se o Irã quiser obter a bomba neste momento, ele a obterá”, disse James Acton, físico que chefia a divisão de política nuclear do Carnegie Endowment for International Peace.

Acton disse à CNN acreditar que “há 50% de chance de o Irã obter a bomba” nos próximos três anos.

Na quarta-feira, 23 governadores do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica votaram a favor de denunciar Teerã ao Conselho de Segurança, enquanto Rússia, China e Níger votaram contra a medida, que decorre de uma resolução de junho de 2025 declarando o Irã em situação de descumprimento das salvaguardas nucleares.

Essa resolução foi aprovada sete meses antes da atual guerra com o Irã e dias antes dos ataques dos EUA contra instalações nucleares iranianas na Operação Midnight Hammer.

A última vez que Teerã foi denunciada ao Conselho de Segurança foi no início de 2006; na ocasião, o órgão da ONU respondeu com uma série de medidas, incluindo sanções contra o regime.

Não está claro se o Conselho de Segurança reagirá da mesma forma à denúncia de quarta-feira; a Rússia e a China são membros permanentes do órgão e podem vetar unilateralmente as ações propostas.

Em comunicado nas redes sociais, a missão diplomática do Irã junto à AIEA classificou a resolução como “política” e “adotada sem consenso”.

A AIEA e o JCPOA

O acordo de 2015, conhecido como JCPOA (traduzido para Plano de Ação Conjunto Global), foi firmado após 20 meses de negociações intensas. O JCPOA estabeleceu limites rigorosos para o programa nuclear do país — especialmente em relação às atividades de enriquecimento de urânio —, os quais seriam verificados de forma independente pela AIEA.

O JCPOA impôs restrições severas, com duração de uma década ou mais, aos estoques de urânio enriquecido do Irã e resultou no envio da maior parte do excedente de urânio do país para a Rússia, para destruição. O acordo restringiu a fabricação de centrífugas de enriquecimento, o reprocessamento de plutônio, o projeto de armas nucleares e outras áreas correlatas.

O acordo também permitiu que a AIEA implementasse o esquema de monitoramento mais intrusivo do planeta, envolvendo lacres, câmeras, sensores, inspeções presenciais diárias e um mecanismo para investigar suspeitas de instalações nucleares clandestinas.

Quando o acordo entrou em vigor, em janeiro de 2016, a agência de inspeção certificou que os iranianos estavam cumprindo seus termos. Até meados de 2019, o Irã manteve-se em conformidade com as exigências de acesso e as salvaguardas do acordo referentes às suas centrífugas de enriquecimento e ao estoque declarado de urânio, apesar de Trump ter retirado os EUA do JCPOA em maio de 2018.

No entanto, o cumprimento do acordo por parte do Irã começou a se deteriorar em 2019, segundo relatórios da AIEA divulgados aproximadamente a cada trimestre.

Em julho de 2019, inspetores relataram que o Irã havia acumulado urânio pouco enriquecido suficiente para ultrapassar o limite de material nuclear estabelecido pelo JCPOA. Naquele outono, Teerã retomou o enriquecimento utilizando centrífugas avançadas em instalações onde o acordo proibia tal atividade.

Então, em 2020, o Irã impediu inspetores da agência de acessar dois locais suspeitos de serem usados ​​para atividades relacionadas a armas nucleares antes da assinatura do JCPOA.

O acesso da AIEA foi ainda mais restringido depois que o parlamento iraniano aprovou, em dezembro de 2020, uma lei que reduziu drasticamente a cooperação com a agência de fiscalização no que diz respeito a disposições de monitoramento e verificação aprimorados.

A lei, aprovada na sequência do assassinato de um importante cientista iraniano por Israel, também determinou a aceleração do programa nuclear de Teerã — incluindo o enriquecimento de urânio a 60% de pureza — a menos que os EUA reduzissem as sanções. O nível de 60% é um marco fundamental que possibilita o rápido processamento adicional para a obtenção de material de grau militar.

Inicialmente, o Irã concordou em manter instalados os equipamentos de monitoramento da AIEA e armazenar os dados localmente, mas esse acordo fracassou em meados de 2021; naquele verão, os iranianos desativaram câmeras de monitoramento — chegando a destruir uma delas — em uma oficina de centrífugas em Karaj, antes de exigir que a agência removesse todos os seus equipamentos de monitoramento do JCPOA cerca de um ano depois, em junho de 2022.

Membros das forças de segurança do Irã também intimidaram inspetores da AIEA por meio de “revistas físicas excessivamente invasivas” em 2021, segundo a agência.

Em janeiro de 2023, a AIEA descobriu um conjunto não declarado de centrífugas na instalação nuclear de Fordow que estava enriquecendo urânio a até 83,7% de pureza, um nível próximo ao grau militar (cerca de 90%).

A descoberta ocorreu quando um inspetor russo experiente notou uma mudança sutil na tubulação das centrífugas, afirmou o ex-diplomata americano. Meses depois, o Irã expulsou do país esse inspetor e vários outros especialistas da AIEA em enriquecimento de urânio.

Rafael Grossi, chefe da AIEA, descreveu a expulsão dos inspetores como um “golpe muito sério” na capacidade da agência de monitorar o programa nuclear do Irã.

A relação deteriorou-se ainda mais nos anos seguintes, com o Irã e a agência trocando acusações de espionagem.

A interferência, o enriquecimento contínuo e a falta de transparência em relação a instalações nucleares não declaradas levaram a agência a aprovar, em junho de 2025, uma resolução declarando que o Irã estava violando seus compromissos de não proliferação.

Israel lançou ataques contra o Irã no dia seguinte à aprovação da resolução, e os EUA bombardearam três instalações nucleares estratégicas — em Fordow, Natanz e Isfahan — menos de duas semanas depois.

Representantes do Irã contestaram anteriormente as alegações da AIEA e criticaram duramente a resolução de encaminhamento aprovada na quarta-feira, que se baseou nas conclusões de junho de 2025. Em sua declaração antes da votação, os iranianos argumentaram que a agência nunca “verificou o desvio de materiais nucleares”.

Diplomatas de Teerã alegaram que os EUA e outros Estados ocidentais que patrocinaram o encaminhamento ao Conselho de Segurança “derramam lágrimas de crocodilo sobre a proliferação, enquanto hipocritamente evitam até mesmo uma simples condenação verbal de agressões massivas e sem precedentes contra instalações nucleares pacíficas sob salvaguardas, bem como de crimes de guerra brutais e crimes contra a humanidade”.

O que vem a seguir?
Desde fevereiro de 2026, quando os EUA e Israel iniciaram sua campanha aérea contra o Irã, a AIEA não conseguiu visitar nenhuma instalação nuclear iraniana, exceto a usina nuclear de Bushehr.

Os inspetores também não visitaram as instalações nucleares anteriormente bombardeadas pelos EUA e por Israel em junho de 2025. A falta de acesso agrava a interrupção, ocorrida no início de 2021, do monitoramento da agência sobre a produção, movimentação e instalação de centrífugas.

Autoridades da AIEA ressaltaram que a interrupção das inspeções quebrou a “continuidade de conhecimento” da agência sobre o urânio, as centrífugas de enriquecimento e itens relacionados do Irã que estavam sob monitoramento do órgão. Isso significa que a agência não pode atestar a situação, a quantidade ou a localização desses itens.

Restabelecer essa base de monitoramento representa uma tarefa monumental para a agência, segundo especialistas ouvidos pela CNN.

Eric Brewer, ex-diretor de contraproliferação do Conselho de Segurança Nacional e atual pesquisador de não proliferação na organização sem fins lucrativos Nuclear Threat Initiative, disse à CNN que “a AIEA parte de um déficit enorme no que diz respeito a compreender a situação real no Irã”.

“Eles precisariam de um monitoramento muito mais robusto e de muito mais tempo para retornar e estabelecer uma nova base de monitoramento, a fim de tentar remontar as peças do quebra-cabeça”, afirmou Brewer.

Caberá ao Conselho de Segurança determinar se o Irã enfrentará novas consequências internacionais por sua suposta violação do Tratado de Não Proliferação Nuclear.

Após o último relatório desse tipo, em 2006, o órgão aprovou uma série de resoluções que permitiram a imposição de sanções econômicas devastadoras contra Teerã.

No entanto, com os EUA atualmente adotando medidas militares e econômicas contra o Irã, não está claro qual seria o impacto de ações adicionais, nem se eventuais resoluções do Conselho de Segurança sobre o assunto conseguiriam superar o poder de veto da Rússia e da China.

Fonte: The Jerusalém Post.

“E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;…” Mateus 24:6

13 de setembro de 2026.

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